2.11.15

Crítica: Z

Z



Z é um filme dirigido por Costa Gavras e é do ano de 1969, lançado em plena guerra fria, a obra conta uma história de um grupo de políticos de esquerda na Grécia que tem seu líder - um deputado interpretado por Yves Montand - morto após a realização de um comício, sendo que o acontecimento foi premeditado pela policia militar da época.




O filme mostra muito bem o que era a manipulação de mídia feita pelo governo e por um de seus principais órgãos governamentais, pois a policia faz de tudo para que não seja ela a incriminada pelo crime. A ditadura implícita na guerra fria fica muito clara na obra, em um determinado momento um personagem pergunta “ele é comunista? ” E essa fala mostra que caso o cidadão morasse no lado ocidental (comandado pelos EUA) e ao menos pensasse como uma pessoa de doutrinas diferentes, ou seja, como um comunista, ele corria risco de ser morto, apenas por pensar diferente.

Mesmo com um juiz de instrução incrivelmente corajoso para comandar toda a investigação, mesmo com um fotografo que em alguns momentos é inconveniente, mas que ajuda muito angariando provas, a policia e o governo corrupto acaba por ganhar a batalha, com os acusados ou não sendo presos ou apenas cumprindo pena mínima, o caso ficou conhecido mundialmente e em grande parte por conta desse filme, que não tem medo de mostrar o que aconteceu de forma correta. Como o próprio diretor coloca na primeira cena na qual diz “Qualquer semelhança com fatos ou pessoas vivas ou mortas não é casual, mas intencional”. Essa fala mostra que Costa Gavras queria expor esses acontecimentos de forma mais fiel possível.

Z foi reconhecido pela critica, recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro, melhor edição e foi o primeiro filme estrangeiro indicado ao premio de melhor filme o que seria repetido por obras como “A Vida é Bela”, “O Tigre e o Dragão” e “Amor”, foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e ganhou nesse mesmo festival o Grande Prêmio do Juri e a categoria melhor ator com a estatueta indo para Jean Louis Trintignant.

Graças a esse filme e as pessoas corajosas que estiveram envolvidas nesse acontecimento, nos sabemos o que realmente aconteceu na Grécia naquele período. Que nós consigamos descobrir mais filmes assim, que são uma boa forma de entretenimento e também uma pequena aula de história. E “Z” em grego antigo significa “Ele esta vivo”, acho que no caso são “eles”, os ideais estão vivos, felizmente estão vivos.

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