10.10.16

Crítica: Café Society



Woody Allen junto com Steven Spielberg pode ser considerado o diretor mais prolifico em termos de números filmes feitos e na qualidade deles. Com a média de um filme por ano, o diretor conseguiu muita coisa nas décadas de 80 e 90, com grandes obras, como Zelig, Annie Hall, Hannah e Suas Irmãs e Maridos e Esposas. Portanto, é uma que o seu mais novo filme “Café Society” se mostre algo raso.

Ambientado na Hollywood dos anos 30, a obra conta a história de Bobby, interpretado por Jesse Eisenberg, que após brigar com o pai em Nova York, vai para Los Angeles, onde mora seu tio Phil, vivido por Steve Carell. Na produtora do tio, ele consegue um emprego e se apaixona pela secretaria Vonnie – Kristen Stewart – que mantem um relacionamento com Phil.




Essa trama descrita no paragrafo acima seria simples, se ela tivesse a atenção necessária para se desenvolver, mas, várias outras subtramas estão presentes, a do irmão de Bobby, o gangster Ben, a do cunhado dele, o aspirante a filosofo Leonard e a dos pais de Bobby. Por conta disso, as tradicionais reflexões sobre o amor, religião e outros assuntos se tornam rasas, fracas e repetitivas, os personagens se tornam bobos e o público que é familiarizado com os filmes de Allen descobre rapidamente todo o desenrolar da historia. Na verdade, mesmo o público não familiarizado com obras anteriores do diretor, consegue perceber o destino dos personagens com meia hora de projeção.

Mas, o filme tem seus aspectos positivos, Kristen Stewart está muito bem como Vonnie, a voz suave que é adotada pela atriz traz a personagem uma certa dimensão, percebemos que ela não é qualquer uma, que houveram várias mudanças antes de ela se descobrir e há ainda outras mudanças por vir. E essa atuação dela me surpreendeu, achei bem interessante como a personagem foi se desenvolvendo e mudando com o tempo. Jesse Eisenberg tenta dar vida ao tradicional alter ego de Allen sempre presente aos seus filmes, nessa missão ele não é bem sucedido, porém o personagem dele é interessante, por sua excitação e por sonhos não realizados que ele consegue esquecer facilmente.

Além disso, esteticamente falando, a obra é lindíssima, com sua fotografia que é uma referencia (e até homenagem, porque não?) aos filmes de época, dando muito destaque a luz e a cor, todos os planos gerais são dignos de serem emoldurados, e a iluminação em cada close-in nos personagens é impecável. O design de produção de Santo Loquasto é incrível, as casas, os cômodos, o estúdio e as festas são incrivelmente bem dispostos e arrumados, com vários detalhes sendo visíveis, os copos vazios, os cigarros, os ternos e vestidos bem arrumados de cada pessoa ali tem seu destaque não apenas por serem belíssimos, mas, também por estarem em lugares incrivelmente bem montados e dispostos no espaço certo. Esse filme, nesses aspectos é um dos mais bonitos do diretor.

Assim, é triste constatar que a obra não justifica nem seu titulo, já que o “Café Society” nunca é bem definido, em certas cenas é um estabelecimento (Que pouco aparece), em outras é uma expressão para se referir a elite. É triste também pensar que o filme usa uma narração em off que é desnecessária e que causa bruscas mudanças nos personagens que o público não acompanha. Uma possível solução para isso seria ter menos personagens no filme, focar em Bobby, Vonnie e Phil, talvez deixasse a obra com uma dimensão maior.

Talvez seja necessária uma pausa a Allen, escolher e desenvolver melhor seus projetos, não há mais a necessidade de se lançar um filme por ano. Independente do que for feito, que o diretor volte a realizar bons filmes, filmes tão bons ou até melhores que aqueles lançados nos anos 80.

Nenhum comentário:

Postar um comentário