14.11.16

Crítica: 13 Minutos





No ano de 1933, Adolf Hitler foi eleito presidente da Alemanha, isso, eleito, após certos acontecimentos, ele se torna o Fuhrer, que é o líder de todo o país. Em 38 começa a Segunda Guerra Mundial, mas, e, se, um ano depois disso, Hitler tivesse falecido? As consequências para a historia são inimagináveis neste caso, mas, não para Georg Elser, que em 39, tentou assassinar o Fuhrer através de uma explosão de uma bomba em um comício, o líder saiu mais cedo, e por 13 minutos, Elser não cumpriu seu objetivo.

Isso, é o que Oliver Hirschbiegel usa como forma de começar a historia de seu filme, porém, não usa como motor para mante-la por suas quase duas horas de projeção. O que mantem o filme é a historia de Georg Elser e as motivações do mesmo para a prática de tal ato. Aqui, vemos, que é Elser é um homem altamente educado, inteligentíssimo e pacifista, e as mudanças que ocorrem no pais de pouco em pouco o vão afetando de uma forma surpreendente.




Quanto maior a educação, mais diminui a alienação e aumentam os temores em relação ao governo, em “13 Minutos” percebemos como um país vai mudando, de forma gradual, até chegar a um estado critico, no qual todo mundo já está no fundo do poço, Elser vai percebendo isso ao longo do filme, quanto mais ele observa e se envolve no cotidiano da pequena cidade onde mora, mais ele ve como a situação vai ficando cada vez pior.

Essa visão é muito bem representada pela fotografia  e montagem do filme, a fotografia muda de saturação de acordo com o tempo vivido e retratado na obra, quando estamos no presente, com Elser sendo interrogado pelos nazistas, as cenas são pretas, cinzas e com tons esparsos de branco, em compensação, quando é mostrado o passado do homem, o cotidiano dele na vila onde mora, as cenas são coloridas, os figurinos tem cores vivas e até o som é um pouquinho mais alto.

Já na montagem, as cenas são bem distribuídas, de forma que nunca ficamos confusos em qual época a cena em questão se passa, fora que a ligação entre as cenas do passado e as do presente são orgânicas, funcionam de maneira efetiva e ainda são muito bonitas, mesmo com a historia cruel, bonitas porque funcionam tão bem, que em grande parte do filme, percebemos que mudou o tempo, mas não damos atenção a isso pois estamos envolvidos com a trama, e, claro, isso se deve ao roteiro muito bem escrito e ao elenco extremamente competente.

Com as mudanças que ocorrem de forma gradual na Alemanha retratada no filme, podemos refletir que toda vez que qualquer pais muda para algo que diminui a qualidade e o direito de vida das pessoas, nunca é de um dia para o outro, sempre é aos pouquinhos, logo, na sociedade contemporânea, vale a pena pensar um pouco mais antes de cada interpretação em relação ao contexto politico. E claro, precisamos de cultura e educação para conseguirmos realizar essa interpretação de forma clara e fácil. Cultura e educação que estiveram presentes durante toda a vida de Georg Elser, que, quando percebeu que o país que amava estava mudando de forma a prejudicar as pessoas que amava, decidiu fazer algo, muito radical inclusive, para ajudar as pessoas e para ajudar a nação. Se funcionou ou não, ou se teremos algo similar no futuro, isso, somente a historia nos ira responder.


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