12.12.16

Crítica: Snowden



O direito de privacidade é algo pertencente a todos, então, é de se surpreender quando é descoberto que uma das grandes potencias politicas do mundo está envolvida em um escândalo gigantesco de espionagem. Mas, na sociedade em que vivemos isso não deveria ser surpresa, o que deveria é um dos empregados decidir levar isso a público.

É justamente isso que “Snowden” de Oliver Stone mostra, a historia de Edward Snowden, analista de sistemas e ex-empregado da NSA que decide denunciar espionagem feita pelos EUA no mundo todo. O filme mostra a vida de Snowden, desde o período de serviço militar, passando pelas missões internacionais e chegando até a época de NSA. A obra não mostra isso em ordem cronológica, alternando com o contato feito por Snowden com os jornalistas que viriam a publicar as matérias que o público já conhece e uma dessas pessoas, Laura Poitras, que lançaria o documentário “Citizenfour”.




Por não mostrar em ordem cronológica o espectador pode pensar que o filme é confuso, na verdade é exatamente ao contrario, apesar dos diversos termos complexos usados, de várias coisas não serem claras logo de cara ao público leigo, a montagem do filme e seus diálogos deixam tudo muito bem explicado, usando da capacidade de dedução do público para fazer a historia fluir, com as cenas bem encaixadas nós conseguimos compreender a intenção da historia perfeitamente.

Intenção da historia que é apenas informar fatos ao público, fatos importantes e que devem ser do conhecimento de todos, Oliver Stone acerta em não deixar claro nenhum tipo de opinião implícita no filme, se mantendo apenas nos fatos noticiosos e do que levou Edward Snowden a fazer o que fez. Stone mostra que é importante termos uma mídia que passa os fatos de maneira direta e concreta, sem ser tendenciosa, o filme faz justamente isso: passa informações contando uma historia.

E fica muito mais fácil quando, além de diálogos bem escritos e cenas bem encaixadas, se tem um elenco competente, Melissa Leo está muito bem como a documentarista Laura Poitras, assim como Zachary Quinto interpretou Gleen Greenwald com perfeição, os destaques ficam para Shailene Woodley, que aqui é Lindsay Mills, namorada de Snowden, e claro, o próprio Snowden, vivido de forma brilhante por Joseph Gordon-Levitt, o tom de voz, jeito de andar e jeito de olhar adotados pelo ator são idênticos aos do próprio Edward Snowden, e quem assistiu Citizenfour pode perceber isso facilmente, em determinados momentos pensamos até que quem está na tela é a pessoa real e não o ator em uma interpretação.

Com planos belíssimos que encaixam imagens de olhos com lentes de webcams, “Snowden” acerta em contar uma historia real da forma mais fiel possível, acerta acontecimentos que antecederam o fato principal e seus desdobramentos futuros de forma que não confunda o público e acerta na escolha do seu elenco. Oliver Stone nos presenteia com mais um ótimo trabalho, como sempre, oferecendo uma reflexão didática em um momento politico que faz necessária reflexões desse gênero.



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