1.3.17

Crítica: Eu, Daniel Blake

Eu, Daniel Blake


“O Homem é um animal politico” disse Aristóteles, adaptando essa frase, Ken Loach é um cineasta politico, cineasta esse que sabe como expor sua opinião dentro dos seus filmes, sem, claro, forçar o publico para que as aceite. Ele apenas quer que as pessoas entendam o lado do outro, que tenham empatia, e que aceitem as diferenças.

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes por seu mais novo filme, “Eu, Daniel Blake” é uma síntese da obra do cineasta, além de ser uma obra ideologicamente muito corajosa, já que vivemos em tempos de ódio ao próximo e que a posição politica e a critica a essa posição vem antes do respeito e de conhecer a pessoa.





O filme conta uma historia que acontece no Reino Unido (Esse mesmo, do Brexit), mais exatamente no norte da Inglaterra, e que, surpreende por acontecer em um país desenvolvido, consolidado e conhecido por suas politicas imperialistas em relação as minorias quantitativas do mundo. A história é a de Dan, vivido por Dave Johns, que, após sofrer um ataque cardíaco, e ser recomendado por seu médico a não voltar a trabalhar, decide por pedir sua aposentadoria, e encara vários desafios burocráticos para conseguir que o direito seja realizado. Durante os tramites e dores de cabeça que o simpático homem passa, ele conhece Katie, representado pela atriz Hayley Squires, mãe de dois filhos e que acabou de se mudar para a cidade.

Me referi a Dan como simpático homem pois é justamente isso que ele é, e o filme é uma obra muito triste por vermos uma pessoa como ele, que tem empatia, sofrer tanto na mão do sistema, e é triste também porque a maioria da população passa pelo o que ele passa, em qualquer país, e em qualquer canto do mundo, e vermos que cada vez mais as politicas internas nacionalistas estão voltando com força apenas aumenta o choque que o filme gera.

Com uma fotografia crua, sóbria, marca de Ken Loach, o diretor consegue mostrar como as organizações públicas funcionam, e expõe vários problemas, como a falta de interesse em ensinar pessoas mais velhas a mexerem nas novas tecnologias, já que Dan é um analfabeto digital, e ainda expõe que a única solução para a melhoria das politicas publicas é o protesto, é as pessoas se unirem e protestarem juntas por um mundo melhor, já que, caso ninguém se mexa, o sistema politico não se importa com sua aposentadoria, e sim com o seu tempo de contribuição, não se importa em como vão te tratar dentro das instalações governamentais que você paga para serem construídas, e ainda vão te fazer cumprir mais obrigações do que o necessário apenas para ganharem mais dinheiro a suas custas, nada é de graça.

Isso é mostrado com a fotografia citada acima, com uma montagem crua, com cortes secos para mostrar o quão rápido a vida passa e ainda conta com cenas longas justapondo esses cortes, de forma que percebamos a demora de ação de um sistema burocrático que acaba com a vida das pessoas gradualmente.

Logo, o novo filme de Ken Loach, assim como o cineasta, é um filme politico, de forte ideologia, e principalmente, de respeito e empatia com o próximo. Empatia esta que está presente até no titulo, pois, é só trocar o “Daniel Blake”, e inserir o seu nome ou o nome de alguém conhecido, e veremos a situação séria na qual nos encontramos.

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