11.1.16

Crítica: O Enigma de Kaspar Hauser

O Enigma de Kaspar Hauser

Filme dirigido por Werner Herzog, lançado em 1974, e conta a história do personagem-título que viveu durante anos em um calabouço, sem nenhum contato com os seres humanos e após todo esse tempo ele é solto, usando roupas em péssimo estado e com um bilhete na mão direita.

“O Enigma de Kaspar Hauser” é um filme interessante, pois mostra determinados aspectos da sociedade que fazem parte da personalidade de Kaspar, mas, não são muito bem aceitos até hoje, e quando ele aprende a se expressar um pouco melhor (Ele falava muito pouco por conta do seu exílio forçado) esses aspectos são expostos, vamos a eles:





Ateísmo ou agnosticismo: No filme tentam ensinar a Kaspar que Deus criou o mundo e que ele tinha que ir à igreja com frequência, e o personagem fala “Eu não acredito que Deus criou tudo do nada”, o reverendo fica inconformado e tenta provar seu ponto de vista pegando uma maçã e falando que após joga-la no chão ela parará sozinha de rolar em frente ao pastor, e isso por conta da vontade de Deus, a maçã vai parar no mato quando é jogada e Kaspar diz “Maçã esperta, se escondeu no mato”, mas os padres se recusam a aceitar, essa recusa mostra como as pessoas são obrigadas (mesmo sem saber que são) a ter fé em algo e, quando alguma pessoa se contradiz a isso o proselitismo aparece e o “sistema” passa a tentar colocar Deus acima de todas as coisas de uma forma ou de outra.

Lógica: A projeção apresenta um debate sobre lógica em que um professor de matemática expõe uma situação para Kaspar resolver, sendo que a resposta é uma pergunta e apenas uma pergunta pode ser a correta de acordo com o professor, Kaspar não fala a pergunta que o professor quer ouvir, mas, ele diz outra que se encaixa perfeitamente na situação e que é uma outra resposta certa, o professor fica bravo e nega que a resposta dada seja certa, isso mostra algo que é recorrente na vida em sociedade que é aquele pensamento de “Só o que eu falo está certo, o que o outro fala está errado”, esta cena é melhor a do filme, pois mostra que todos nós temos lógica e que nenhum tipo de lógica é inegável.

Esses são apenas dois aspectos dos vários a que o filme faz uma critica ferrenha, incluindo uma critica brilhante sobre a vida burguesa e com as festas que essa propõe, sendo assim “O Enigma de Kaspar Hauser” é um dos filmes do Novo Cinema Alemão que mostra diversos simbolismos que ainda são presentes nas vidas de todos nós e que não irão desaparecer, e a projeção se torna brilhante por conta dessas metáforas mostradas de forma tão simples, mas ao mesmo tempo tão complexas.

P.S: O calabouço onde Kaspar Hauser viveu durante boa parte de sua vida é uma referencia ao mito da caverna que foi teorizado por Platão, quando Kaspar é solto e vai para cidade logo ele é colocado em um celeiro e isso é como se ele tivesse visto o que estava por trás da plataforma onde havia pessoas e objetos e quando ele dorme no celeiro é o momento em que ele volta para a sua realidade, porque era a única realidade possível para ele.

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