6.1.20

Crítica: Deerskin: A jaqueta de couro de cervo

Deerskin: A jaqueta de couro de cervo
Imagem: Califórnia Filmes / DIVULGAÇÃO
 
Não dá para dizer que "Deerskin: A jaqueta de couro de cervo" é um filme de todo grotesco, mas, com certeza, a obra dirigida, escrita e montada por Quentin Dupieux, é no mínimo e a palavra a seguir sem dúvida não é a certa para descrever a projeção, estranha.

Já que, Georges (interpretado por Jean Dujardin) é co protagonista de um filme cujo outro papel principal é de uma jaqueta, justamente a citada no título, pela qual o homem nutre uma obsessão absurda.


Essa entrega pode ser tratada como uma mudança de comportamento de Georges, porém, não é possível afirmar isso de fato, já que o personagem é de fato daquele jeito o filme todo e não conhecemos o seu passado para dizer se houve alterações em sua personalidade.

Por "daquele jeito" quero dizer: solitário, controlador, narcisista e machista, além dos diversos crimes que ele comete durante a obra. Não foi a jaqueta que o manipulou para fazer isso, ele fez porque ele quis e o roteiro deixa isso bem claro, já que dá para perceber os aspectos da personalidade dele que foram citados antes de ele cometer os crimes. E pela fotografia, sempre cinzenta e reforçada pelos figurinos usados, com exceção da famigerada jaqueta, são cinzas, brancos ou pretos, sempre mantendo a escuridão como um padrão.

O que nos leva a pensar na visão de sociedade que nos é apresentada no filme, já que vários personagens fazem algo de errado em relação a lei e nenhum deles é punido. Ou seja, será que para o diretor, roteirista e montador, é certo cometer crimes ou será que ele acredita que aquele é o futuro da sociedade?

Essas perguntas nunca são respondidas assim como várias outras: quem é o menino que aparece constantemente seguindo Georges? Como e porque Georges foi parar naquele local? Foi apenas por causa da jaqueta?

Jean Dujardin se esforça para sanar essas dúvidas, assim como Adele Haenel, que interpreta Denise, que poderia ser um contraponto do roteiro ao personagem principal, mas não é e às vezes até nos perguntamos o que ela de fato está fazendo ali.

Apesar dos bons desempenhos dos dois, não há como os intérpretes, por mais talentosos que sejam, salvarem um material ruim e com cenas dispensáveis (como as citadas acima do menino que segue Georges).

E a montagem também não ajuda, já que o estilo dessa é a alternada entre flashforwards e flashbacks faz com que o filme não tenha uma linha temporal bem definida, dificultando a compreensão em alguns momentos.

Mas é inegável que o filme, por ser estranho e por ter como força motriz uma jaqueta, dá material para diversos debates, principalmente nas cenas em que a jaqueta fala (ou não?) com Georges, ela o influencia e até manda ele agir da forma que ela quer.

Por mais que atraia a curiosidade do público e que o gênero escolhido para o filme tenha sido o certo (no caso, o suspense), "Deerskin: A jaqueta de couro de cervo" é uma projeção que tenta ser algo que não consegue devido a um material ruim e uma estrutura que faz a obra ser maçante.

Ou seja, o espectador fica instigado, mas essa curiosidade acaba na mesma medida que as 1h17 de duração: rápido.

Veja o trailer aqui:
 

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