18.2.16

Crítica: Cinco Graças

Cinco Graças


Filme dirigido por Deniz Gamze Erguven, conta a história de cinco irmãs que vivem com o tio e a avó e fazem parte da sociedade conservadora turca, a história é contada pelo ponto de vista da irmã mais nova, Lale, e mostra as reações desta quando as mais velhas são forçadas a se casar.

Obra belíssima, com um elenco absurdamente genial, e o principal aqui é como o filme retrata o sofrimento das mulheres que são oprimidas por uma sociedade machista sob controle do patriarcado. Na projeção é mostrado a vida das mulheres na Turquia, porém isso ocorre em vários outros países também.





A história relata como as mulheres vivem comandadas pelos homens, e como as mais velhas que já não lutam mais pela liberdade (Ou nunca o fizeram pela opressão da sociedade patriarcal) ensinam as mais novas a como se comportar, e fazem da vida das cinco irmãs uma prisão onde elas vivem apenas para os homens e nunca para elas.

Neste contexto, a cena em que as cinco meninas fogem para assistir à partida de futebol no estádio é uma das mais lindas do cinema, pois mostra a liberdade não só daquelas moças, mostra a liberdade de todas as mulheres que estavam vendo a partida ao vivo, se divertindo, como qualquer outra pessoa. E, após isso, os casamentos arranjados, e claro, as meninas somente casam virgens, mas porquê? Porque esta é mais uma forma de controlar o que elas fazem ou deixam de fazer, e até quando isto existirá?

Sendo assim, fecho este texto com uma frase do autor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, o autor compartilhou esta frase que não é dele e sim de uma mulher anônima que empresta a sua história a ele para o livro “A Casa dos Budas Ditosos”, no livro ela compartilha algumas de suas experiências luxuriosas. Vamos a frase: “E, de fato, é triste, acho que como ele próprio ainda disse, viver numa sociedade em que a honra feminina é portada entre as pernas, que coisa mais besta, meu Deus do céu. Mas, não é, não é? Às vezes me dá vontade de fazer um comício. Quantas vidas se perderam, quantos destinos se estragaram, quantas tragédias não houve, quantos conventos não foram abarrotados desumanamente, por causa da honra de tantas e tantas infelizes? ”

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