26.9.16

Crítica: Sonata de Outono

Sonata de Outono


Um filme de Bergman costuma ter reflexões, boas histórias e principalmente personagens multifacetados que sempre levam empatia ao público, seja pelas atitudes tomadas ou pela simples falta delas. É o que vemos neste "Sonata de Outono" de 1978.

Aqui, vemos algo comum, mas não tão frequente na filmografia do sueco, o uso de cores quentes na fotografia, as paisagens são mostradas em grandes planos gerais ou em planos gerais, sempre com cores vivas, vibrantes, assim como o figurino dos personagens, as roupas usadas pelas mulheres são de cores claras como o amarelo, vermelho e o laranja.




Com o passar do tempo, isso muda, assim como suas personagens, Eva, interpretada por Liv Ullmann convida a mãe Charlotte, vivida por Ingrid Bergman a passar um tempo em sua casa que fica localizada no interior do país. Porém, Eva, cuida da irmã mais nova Helena (Lena Nyland, brilhante), que está doente e foi retirada de um asilo, a mãe não sabe que a segunda filha está na casa, e quando descobre as relações entre Charlotte e Eva ficam abaladas.

E é o abalo de relação que é mostrado no filme, nessa hora, a cor do filme muda, o vermelho, amarelo e laranja são substituídos pelo vinho, cinza e o preto, as paisagens e cômodos da casa de Eva, anteriormente retratados com vibração, passam a ser mais sóbrios, ficam escuros ou no contraluz. E a explosão de cor é substituída pela explosão de ódio, raiva, frustração que ficaram presos durante anos na alma daquelas mulheres. Mulheres que são fortes, em sua personalidade e em sua forma de levar a vida, até mesmo nas inseguranças que foram apresentadas há força, isso é tradicional na obra do diretor sueco: a presença de mulheres com força.

Embalado pela trilha sonora clássica, com Chopin e Bach sendo os principais nesse aspecto, o uso de enquadramentos que mostram as mulheres muito próximas de forma física, acerta em focar em uma quando esta fala, e desfocar a outra, com uma nítida e a outra não, apesar de estarem no mesmo lugar é mostrada a distancia da mãe e da filha, com os cortes secos que fluem muito bem os flashbacks ficam encaixados na trama, de maneira que a história passa com leveza, apesar de ser cruel o que é contado na obra.

Para variar, Bergman acerta em tudo, no elenco, na trilha, na história e principalmente na explosão existencialista que é a relação entre mãe e filha, esse é aquele filme que quando acaba você sai do filme, mas, o filme não sai de você, por conta disso, a projeção se faz necessária, assim como todo filme deste diretor.

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