3.10.16

Crítica: Mate-me por favor

Mate-me Por Favor
Imagem do adorocinema.com


“A expectativa é a mãe da frustração” já disse Hemingway e essa expectativa tendo como consequência a frustração é algo que faz parte do crescimento de cada pessoa, principalmente na adolescência, fase das descobertas e do inicio da independência. É isso que o suspense “Mate-me por favor” dirigido por Anita Rocha da Silveira usa como força e enredo.

A história é simples, Bia vivida pela ótima atriz Valentina Herszage, mora no Rio, na Barra da Tijuca e lá estão ocorrendo assassinatos onde as vitimas são mulheres jovens. Elas são deixadas em um terreno baldio, por onde a garota e suas amigas passam para voltar da escola.




O filme quebra o estereotipo do gênero de terror clássico, comumente lançado nos anos 80, onde as vitimas do vilão são apenas pessoas que não são mais puras e integras de acordo com uma sociedade machista e sexista na qual vivemos, e nisso a obra acerta em cheio, ao mostrar o que o adolescente vê quando está no período de descobertas, e o que é visto? Casais se agarrando, luxuria, libido e existe principalmente a curiosidade de fazer tudo isso.

E as cores são essenciais para mostrar isso ao público, o vermelho é usado constantemente, seja no sangue das vitimas do assassino, ou na maquiagem das garotas e na cor do cabelo de algumas. O roxo é usado também, no sofá da casa de Bia, nas roupas de alguns dos personagens, até nos acessórios e nos mínimos detalhes dos calçados, como o cadarço do tênis de Mari, uma das amigas de Bia, que varia entre o rosa e o roxo.

Os ângulos usados nas cenas costumam ser abertos, e o que mais me chamou a atenção foi como o Rio de Janeiro é mostrado, de forma ampla, explorando a largura dos lugares, e a luz de cada local, então quando Bia, na segunda cena do filme, aparece dando um meio sorriso para câmera, com uma avenida no fundo, remete muito aos filmes de David Lynch, na forma de mostrar a cidade e a personagem imersa nela.

Sendo assim, “Mate-me por favor” é um filme de descobertas e focado justamente em pessoas que estão na idade de saber quem são, a curiosidade de Bia faz ela se tornar uma personagem fascinante, ficamos pensando o tempo inteiro nos motivos de cada atitude tomada pela garota, e isso, unido ao fato de nenhum adulto aparecer no filme, torna claro que a história é sobre independência e a curiosidade do que pode ser feito com ela.

Anita Rocha da Silveira se torna um nome a ser acompanhado, pois este filme cria uma expectativa das projeções que estão por vir. Esperamos que neste caso, Hemingway não tenha razão.

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