24.10.16

Crítica: Possessão


Fim de relacionamentos envolvem vários sentimentos, dúvida, frustração, medo de um futuro sem a pessoa, e tudo isso cai de uma vez só na vida dos envolvidos, e isso é usado com perfeição em “Possessão” filme de Andrezj Zulawski lançado em 1981.

A história do filme é simples, Mark, interpretado por Sam Neill, está se separando de Anna, vivida por Isabelle Adjani, ele não quer a separação e ela quer, e inclusive tem um amante com o qual se relaciona há algum tempo. Por conta disso, Mark decide seguir a mulher para descobrir detalhes sobre o relacionamento extraconjugal da mesma.




E é melhor parar a sinopse por aqui mesmo, a obra toma ritmos alucinantes depois que o contexto é explicado ao público, vemos a dúvida de Mark e Anna se transformarem em frustração, logo em seguida para se tornar medo e chega ao ponto de se tornar agressiva, violenta. Essa violência é exposta pelas roupas dos personagens, Anna usa o mesmo vestido durante todo o filme, no inicio a peça está impecável e com o passar do tempo ela vai se desgastando, rasgando, até chegar a um estado absurdo, isso expõe as fases do relacionamento do casal, que começou bem e foi até um momento em que era impossível aguentar. Mark também passa por essa experiência de figurino, mais de forma um pouco diferente, começando o filme com ternos, camisas e calças de cores claras, como o azul, ele passa, mais para frente, a usar roupas mais sóbrias, camisas e calças cinza por exemplo. Além de ele apenas aparecer com os braços a mostra após se machucar, deixando bem claro não apenas a ferida psicológica do fim de um relacionamento, mas também a física, a física pode se explorada também pelo filho do casal, pois o garoto tem pesadelos.

Aqui, é interessante falarmos do casal principal, Sam Neill transforma Mark em um homem que aprende com o tempo, ele sempre teve a violência presente, mas, ele aprende a usá-la sem medo algum, sem culpa alguma, e não apenas fisicamente falando, mas principalmente na forma psicológica, é pelo psicológico que ele se aproxima da professora do filho, Helen, também vivida por Isabelle Adjani, essa aproximação só mostra o medo de perder a mulher e o conforto de sua vida, medo que é tão grande, que ele nem ao menos consegue lidar com isso.

Isabelle Adjani como Anna, é simplesmente BRILHANTE (única forma de expressar o que senti foi escrevendo em caixa alta), ela passa uma dimensão incrível, sempre vemos Anna como uma pessoa simples, cheia de medos e dúvidas, que mesmo quando toma decisões de forma assertiva tem receio de executá-las, e isso fica claro na fabulosa cena do metro, onde ela grita e desabafa com si mesma. O tom de voz de Adjani, o jeito de andar, apenas tornam a atuação dela mais sensacional, acredito que poucas conseguiriam fazer o público sentir empatia com as dúvidas de relacionamento de Anna como Adjani fez, é por isso que ela é fantástica.

A palavra “duvida” foi muito usada nesse texto, porém, não precisam tê-la em relação a essa obra, ela vale cada minuto de suas duas horas, várias reviravoltas, metáforas e com um ritmo muito bom de se acompanhar. “Possessão” faz quem o assiste ficar pensando nele por um bom tempo, essa é uma das melhores sensações que um filme pode deixar em uma pessoa.



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