21.11.16

Crítica: A Garota no Trem

Imagem do site Adorocinema.com



Todas as pessoas que em suas rotinas utilizam o transporte público fizeram o que Rachel, personagem de Emily Blunt faz neste filme, que é olhar pessoas que são vistas todo dia seja no metro, trem ou ônibus e imaginar o que essa pessoa faz, como ela vive e o que ela sente.

Usando isso como introdução de sua historia “A Garota no Trem”, filme dirigido por Tate Taylor, descreve a trama de Rachel, que quando volta para casa, observa Megan, até que, certo dia, a observada desaparece e Rachel passa a investigar o caso por conta própria, até porque a mulher do ex-marido junto com o mesmo, são vizinhos da desaparecida e ela se separou recentemente.




A trama se desenvolve de forma um pouco confusa para o espectador, alternando flashbacks da vida das mulheres com acontecimentos no presente nunca fica claro quando o retorno para o tempo presente é feito no filme, então, ficamos com a sensação de estarmos em um flashback grande o qual muda de período de forma continua e rápida. Apesar disso, a vida e a rotina das três mulheres, Rachel, Megan (Haley Bennett) e Anna (Rebecca Ferguson) fica bem explicada e definida para o público.

Repare que falei apenas de mulheres como personagens principais, e este é, o grande ponto positivo do filme, a representatividade, as mulheres dominam a trama, tanto nos personagens primários quanto nos secundários, são seis mulheres e quatro homens, logo vemos que é um filme que devota grande atenção as personagens femininas, atenção esta que o espectador deve dar a atuação de Emily Blunt que carrega o filme, expondo bem como é o alcoolismo e as tensões da solidão.

Uma pena que o alcoolismo no filme seja tratado como um problema passível de resolução apenas com novas roupas e maquiagem, já que Rachel vai em apenas uma reunião do AA e depois já está tudo bem, ela praticamente para de beber, renova o guarda-roupa e pronto. Este tipo de solução ocorre com várias coisas ao longo da trama, assim como cenas mal explicadas - Para que arrumar as malas e deixar um bilhete de despedida, sendo que, as malas ficam no quarto junto com o bilhete e você não vai embora? Para que mostrar isso – e ainda crimes cometidos por Rachel que passam batidos como perseguição, calunia e falsidade ideológica. O filme se prende ao desaparecimento e possível homicídio de Megan e só, e outros detalhes importantes para trama, que foram apresentados ao espectador e, portanto deveriam ser elucidados são esquecidos ao longo de quase duas horas de projeção.

Logo, “A Garota no Trem” é um longa com grande potencial e elenco competente, que nunca chega a cumprir seu objetivo – já que o mistério que cerca o desaparecimento de Megan pode ser descoberto pelo espectador com apenas 30 minutos de filme – e além disso, a obra nunca mostra a que veio, apenas expondo uma confusão que poderia ter sido evitada. Poderia ser um suspense excelente se não fosse tudo isso, mas, apenas é um longa de suspense/terror com pontos positivos, porém, perfeitamente dispensável.



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