5.12.16

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam


É difícil ver uma escritora tão bem sucedida quanto J.K.Rowling, porque o mundo sempre preferiu homens no mercado de trabalho, o que é um absurdo, ainda bem que J.K conseguiu prosperar em um mercado machista e misógino. O sucesso dela não é à toa, poucas pessoas conseguem criar um universo tão rico e independente, contextualizar este universo com a filosofia, gerar um estudo imenso de personagem e ainda entreter.

Com o fim de “Harry Potter”, a maioria das pessoas pensou que nunca mais iria vislumbrar o universo bruxo em algum filme inédito, felizmente, com “Animais Fantásticos e Onde Habitam” dirigido por David Yates o público ganha mais uma forma de penetrar no mundo instigante criado por Rowling.




Sempre usando o mundo das ideias concebido por Platão e a lei moral de Kant -intencionalmente ou não - como forma de fazer a sociedade bruxa ser logica e mais real do que a nossa, a historia contada aqui é a de Newt Scamander, um zoólogo que usa uma maleta na qual carrega vários animais para estuda-los e divulgar para a sociedade a sua teoria. Scamander vai para Nova York, onde após um acidente alguns dos animais da maleta se perdem pela cidade, então, a estadia do rapaz tem como missão recuperar as criaturas.

Com uma historia totalmente independente de “Harry Potter”, em “Animais Fantásticos”, não temos uma metáfora infanto juvenil inserida em um contexto adulto - e mesmo quando tínhamos isso não era ruim -, aqui temos uma historia adulta contada de forma a ser usada como comparação com a sociedade atual. Esta comparação é o grande mérito do filme, vemos a mídia dando atenção demais a um candidato a presidência, vemos intolerância e propagação do ódio usando a religião como desculpa e ainda é passada uma mensagem sobre preservação do ambiente e depressão.

Todos os aspectos citados acima são enriquecidos e bem transmitidos graças a uma fotografia escura e que adota os mesmos tons de “Harry Potter”, alternando entre preto e cinza e com predileção ao clima nublado, e também pelo elenco, que é muito competente, cada ator ou atriz é perfeito para seu respectivo papel. A montagem ajuda a historia a ser orgânica e fácil de acompanhar, chega até mesmo a ser leve de ver o filme, mesmo sendo uma historia pesada e conturbada.

Os efeitos especiais que conceberam os animais da maleta de Newt e os habitats naturais de cada um deles são belíssimos e condizem com o amor que o personagem tem por cada bicho que vive ali, as cores de cada ecossistema varia de acordo com o animal, então, quando vemos animais que não apresentam nenhum tipo de risco as cores são claras e vivas, da mesma forma que animais que são mais agressivos são apresentados em ambientes escuros, cinza, ou apenas monocromáticos, como é o caso do Obscurial, que a meu ver, é uma metáfora física para a depressão, depressão que faz vitimas tanto na obra aqui analisada quanto na vida real.

Com isso, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é um filme muito bem dirigido, que gera reflexões importantes e que coloca de volta nas telonas o universo altamente multifacetado que foi brilhantemente concebido por J.K. Rowling. É bom termos reflexões tão serias sendo passadas de forma tão didática e até mesmo divertida no cinema. 

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