19.12.16

Crítica: Nerve


A tecnologia cada vez mais se faz presente no cotidiano de todos nós, assim como as redes sociais, onde pessoas fingem ser o que não são e estão atentas a qualquer tipo de informação, seja esta útil ou não, verdadeira ou falsa. Tendo isto em vista, Nerve, dirigido por Ariel Schulman e Henry Joost é competente em usar a ambientação da tecnologia como motor para o seu enredo.

Enredo este que é bem simples, Vee, interpretada por Emma Roberts, é uma garota prestes a sair do ensino médio e ingressar na faculdade, após a amiga dela Sydney, Emily Meade dizer que ela não tem atitude Vee começa a jogar Nerve (o qual Sydney também joga), um jogo no qual pessoas anônimas falam para os jogadores o que tem que ser feito. Começando a jogar, ela conhece Ian (Dave Franco), e o casal passa a ser popular e a conseguir várias tarefas.




As tarefas são validadas a partir da filmagem delas, ou seja, enquanto coisas insanas ou não vão acontecendo tudo vai sendo filmado, logo, é impossível não lembrar da serie Black Mirror, no episodio “White Bear” isso também ocorre. A filmagem dos acontecimentos pelas pessoas, apenas mostra pelo qual caminho a sociedade está indo na medida em que a tecnologia avança, que é não nos importar mais com as consequências de algo que acontece, apenas se acontece ou não, isso é assustador tendo em vista que as pessoas (a maioria delas) já se importam apenas com os acontecimentos, mas, agora elas tem ferramentas para expor isso ao mundo e parecer normal.

Os movimentos de câmera do filme e a montagem expõem isso que foi descrito acima muito bem, usando panorâmicas e câmera na mão sempre percebemos que em todos os momentos, todos mesmo, têm alguém filmando, em determinada cena, um dos personagens sobe no alto de um edifício e as luzes do ultimo andar do edifício ao lado se acendem, todas as janelas para ser mais exato, e isso é só para citar um exemplo. A montagem usando de cortes bem encaixados ajuda a manter o ritmo do filme, ritmo que é essencial para o desenvolvimento da trama.

A fotografia é essencial aqui, a cidade é mostrada cheia de cores e vida, aspectos estes que é justamente o que as redes sociais e a tecnologia querem passar, que a vida integrada a tecnologia fica melhor e mais feliz. Porém, no filme, a historia serve de contraponto perfeito para a fotografia, já que temos uma historia macabra sendo contada em uma cidade bem colorida e vibrante, vibração esta exposta nos figurinos de todos os personagens independente do seu grau de importância. Já que citei “Black Mirror” no segundo paragrafo e fotografia neste devo dizer que “Nerve” é um episodio de Black Mirror muito mais colorido e com um final que na serie não se encaixaria jamais.

Final este que não me agradou tanto assim, mas, “Nerve” é uma experiência muito agradável, uma trama com ritmo, bem desenvolvida, com fotografia interessante e que se encaixa na historia, mas, principalmente, a ambientação feita pelo filme na qual mostra a sociedade atual indo para o fundo do poço e sorrindo, além de ser interessante é bem necessária. Assim como é necessária a tecnologia. Usada com parcimônia e de forma inteligente, claro.

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