16.1.17

Crítica: Loving



O amor é algo que transpõe crenças, raça e fronteiras geográficas, então, quando conhecemos a historia de um casal que após o seu casamento foi obrigado a viver em exilio da família e amigos por conta de uma lei que nos anos 60 nos Estados Unidos impedia que casais inter-raciais se formassem, percebemos que não evoluímos como sociedade.

Essa é a história que “Loving” dirigido por Jeff Nichols conta, Richard interpretado por Joel Edgerton e Mildred interpretado por Ruth Negga formam o casal Loving que brigou na justiça por conta de seu casamento. O filme consegue fazer uma critica pertinente a sociedade atual cheia de ódio, que é já que não aceita, ao menos respeite, além de mostrar como a religião é relativa e interpretativa de cada um, pois, tanto os juízes como os policiais usam divindade como justificativa para a lei e para a prisão do casal.




Casal que só queria viver em paz e feliz, como mostram as diversas cenas em que Richard aparece cimentando tijolos, ele, ali, não está cimentando tijolos e sim a sua vida com a mulher e filhos, e Edgerton acerta em fazer de Richard um homem cuja postura mostra sua timidez e humildade, além de usar um tom de voz baixo que beneficia a parte física de sua atuação. Ruth Negga faz de Mildred uma mulher que se adapta a situação de forma brilhante, sempre demonstrando força e vontade de vencer, unidos a um amor pelo marido que ultrapassa a timidez dela, timidez que é vencida nas diversas entrevistas dadas por ela e nas conversas com os advogados de defesa do casal.

Com uma montagem que faz a historia fluir e principalmente com o uso parcimonioso da trilha sonora, que deixa o publico a vontade enquanto tira suas próprias conclusões, e não força o choro do espectador, já que este foi um erro recorrente em “Histórias Cruzadas", além de que aqui o branco não é retratado como herói do negro indefeso, outro erro de “Historias Cruzadas”  e esse tipo de coisa é usado de forma recorrente - podendo até mesmo ser considerado uma formula – em filmes hollywoodianos que abordam o racismo em qualquer uma de suas várias formas.

“Loving” acerta em tudo isso e ainda consegue comover e fazer o público criar empatia com o casal principal, passa uma mensagem válida nos tempos atuais, que é de que a luta por direitos ainda continua, e infelizmente ainda é a mesma, vemos todo dia mulheres, negros e a comunidade LGBT lutando todo dia por direitos inatos do ser humano, como trabalho, direito sobre o próprio corpo e casamento.

E sinceramente que uma família de nome “Loving” tenha conseguido o que conseguiu apenas prova que a luta por direitos e por amor não pode ser mera coincidência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário