23.1.17

Crítica: O Nascimento de uma Nação (2016)


“O Nascimento de uma Nação” foi lançado em 1912, dirigido por D.W Griffith e é um filme que consegue ser racista nos patamares mais elevados, porém, infelizmente a obra é de uma importância inegável para a historia do cinema, pois, a tecnologia usada, a forma de contar a historia e a sua montagem deram origem a muitas das obras que vemos atualmente.

Logo, quando vemos que um filme leva o mesmo nome do clássico de Griffith e conta uma historia completamente diferente e oposta, temos que reconhecer a ótima ideia do titulo, que pode ser considerado até mesmo como uma resposta ao filme antigo.




Uma resposta ideológica ao menos, porque passa longe de ser uma resposta técnica. Dirigido por Nate Parker, que também é o roteirista e ator do filme, a projeção conta a historia de Nat Turner – interpretado por Parker – pastor, o homem é escravo em uma fazenda da Virginia, o senhor dele, Samuel Turner - Armie Hammer -  o coloca para pregar em fazendas do estado, para evitar uma possível insurreição, mas, com o que é visto por Turner, uma rebelião é iniciada por ele junto com seus companheiros.

O roteiro não ajuda na descoberta de quem foi Nat Turner, nós nunca sabemos o que o personagem quer, ou exatamente o que ele pensa, nesse aspecto várias cenas podem ser citadas como exemplo, a cena inicial e as consequências dela acabam por ser a principal aqui, vemos nessa cena um ritual no qual Turner ainda menino participa, no qual diz que ele é um líder, um escolhido e que será isso por toda a sua vida, mas, essa cena e esses dizeres são esquecidos logo em sequencia, para serem relembrados apenas por um momento mais próximo ao fim do filme. Então, não sabemos se Nat Turner personagem se acha realmente um líder, um exemplo a ser seguido, um escolhido.

E isso entra em contradição com o que a historia nos diz, pois, Nat Turner de acordo com historiadores e pesquisas feitas, se achava sim um escolhido, um predestinado a fazer grandes coisas, e achava que por conta disso, os negros obrigatoriamente deveriam segui-lo em sua rebelião.
Então, o filme o retrata como um mártir, e apenas isso, e não como um homem que provavelmente inspirou Malcolm X e Martin Luther King. Além de que, a opção de não mostrar a violência da rebelião não gera uma reflexão que é pertencente a sociedade  desde os tempos antigos: realmente vale a pena ter varias guerras por ai?. Bom, a resposta pode ser a de que algo tem que ser feito para mudar o mundo e o sistema, e que esse algo passa pela violência física. Acredito que nunca teremos uma resposta concreta para a pergunta.

As atuações são interessantes e competentes, Nate Parker se sai melhor como ator do que como diretor e roteirista e Armie Hammer também está bem como Samuel Turner. E ainda temos boas participações de Aja Naomi King com Cherry – mulher de Nat – e Penélope Ann Miller também merece destaque.

É uma pena que o filme não seja tão eficiente quanto o esperado, e é uma pena que Nate Parker não tem ideias originais para conceber alguns de seus planos, já que certos quadros remetem a outros diretores como Steve McQueen (12 Anos de Escravidão). Portanto “O Nascimento de uma Nação” se torna apenas um filme comum, apesar de sua ideologia de luta.


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