2.1.17

Crítica: O Que Está Por Vir


Desde que a sociedade se entende por sociedade a filosofia está presente em nossos cotidianos, seja de forma direta ou não, logo, mesmo ainda não sabendo as respostas para as principais duvidas da historia humana adaptamos a filosofia de forma a se encaixar nas nossas rotinas, é por isso, que assistir a um filme como “O Que Está Por Vir” é enriquecedor, pois vemos correntes filosóficas atreladas ao enredo.

Dirigido por Mia Hansen-Love, a obra conta a historia de Nathalie, professora de filosofia, interpretada por Isabelle Huppert, que tem uma vida boa, é casada, com filhos, quando, o marido dela a avisa que conheceu outra pessoa e que vai morar com ela, Nathalie precisa mudar a forma como encara a vida.




E para isso ela usa a filosofia, primeiro, ela vivia no mundo das ideias (Platão) e obrigada a sair dele e voltar para o mundo real a medida que os acontecimentos acima vão se desenrolando, depois, ela passa a fazer o que é certo de acordo com sua razão pessoal dessa forma seguindo a lei moral de Kant, e por fim, ela passa a aceitar sua nova condição, e dessa forma a sua existência da vida a uma nova essência, e para isso ela usa a filosofia de Jean Paul Sartre. E ainda, o fato de ter uma cena que mostra a protagonista assistindo "Cópia Fiel" de Abbas Kiarostami, que trata justamente de uma separação, é filosófico por si só. 

Tudo isso é mostrado de forma clara através de uma montagem bem feita que ajuda as cores do filme e os detalhes de cada atuação a irem se manifestando de forma calma e gradual na tela, isso evita o tédio do espectador durante a projeção. E a atuação de Isabelle Huppert é soberba, vemos seu olhar melancólico e intenso, a forma de andar encurvada e o sorriso tímido compõem uma figura triste, porém, que sente um grande prazer pela vida. Falando de Huppert, apenas constatamos como ela é versátil, lembrando que neste mesmo ano ela foi a personagem principal em Elle, que é totalmente de Nathalie neste “O Que Está Por Vir”, enquanto Michele é segura, altamente sarcástica e até mesmo cruel, tendo um olhar obstinado, Nathalie é calma, melancólica, boa e apresenta o olhar e postura descritos acima.

Com o uso da cor para comunicar sentimentos, como o verde que é bem destacado em quase todas as cenas e dos figurinos de Nathalie, que vão de tons claros quando ela está bem para tons mais escuros de forma gradual, “O Que Está Por Vir” conta com um final melancólico, com a cena da aula de filosofia dada pela personagem, porém otimista com o que ocorre a seguir no apartamento da mesma.

Sendo assim, o filme de Mia Hansen-Love é uma obra bonita e reveladora que vale a pena ser assistida. 

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