25.2.17

Crítica: Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo


Ao longo da história presenciamos e participamos de várias batalhas pelos direitos humanos na sociedade, várias persistem até hoje – a grande maioria – e uma dessas é a batalha dos negros por igualdade. Hoje em dia, a batalha tomou novos contornos, contornos que levaram a acontecimentos velados, que são tão cruéis quanto os do passado, mas, como a mídia não dá a mínima, quase todos esses fatos são desconhecidos do grande público.

No meio dessa luta houve gênios, gênios que fizeram uma diferença absurda e a fortaleceram, como as três mulheres que “Estrelas Além do Tempo” têm como personagens principais, as três são matemáticas, físicas e claro, mulheres negras que lutaram por seus direitos em prol de uma sociedade igualitária.





Dirigido por Theodore Melfi, o filme conta a história de Mary Jackson, vivida por Janelle Monáe, Dorothy Vaughn, interpretada por Octavia Spencer e Katherine Goble, representada por Taraji P. Henson, as três trabalham na NASA como computadoras – funcionários ou funcionarias que faziam vários cálculos para o setor espacial – e precisam lidar com o racismo na vida e no ambiente de trabalho.

O filme conta com uma atuação forte de Taraji P.Henson como Katherine, a atriz consegue fazer a força e persistência da mulher serem bem passadas ao público, Spencer e Monáe também conseguem isso, mas Henson passa o sentimento de uma forma que prende a atenção do espectador.

Os figurinos usados pelas três personagens principais são de cores claras, o que expõe a esperança que cada uma tem de atingir a igualdade, não só para elas e suas respectivas famílias, mas, também, para as pessoas negras que assim como elas lutam por seus direitos.

Com tudo isso, é uma pena que a obra se torne tão dramática que tenta levar o espectador ao choro, inserindo trilha sonora em cenas desnecessárias e, além disso, o pior erro, que é usar como força em seu roteiro a historia de três mulheres que quebraram paradigmas e lutaram por igualdade, e no decorrer do filme nunca se aprofundar na historia delas, e ainda por cima, em certas cenas colocar o homem branco no papel de herói, quando ele trabalha em prol do seu próprio interesse, e por fim, dar mais atenção ao pouso das naves pilotadas pelos astronautas do que as mulheres que fizeram possível aquilo acontecer.

Pois, apesar de a sociedade sempre reconhecer homens como os grandes percursores da tecnologia atual, como Bill Gates e Steve Jobs, é desconhecido pela maioria das pessoas o fato de que três mulheres negras possibilitaram o lançamento e pouso bem sucedido de naves espaciais, uma delas se tornou uma programadora de computadores essencial na criação do computador pessoal.

Não tirando o mérito dos dois homens citados em seus respectivos legados, mas, convenhamos que se não fossem essas três mulheres eles não teriam um legado. Logo “Estrelas Além do Tempo” falha em mostrar com mais profundidade suas personagens, assim, fazendo uma obra esquecível o que é totalmente ao contrario do legado deixado por elas, e provavelmente, depois das cerimonias de premiação, elas voltarão a ser “Hidden Figures” (Figuras Escondidas em português e titulo original da projeção), titulo original esse que convenhamos, foi uma péssima escolha.

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