6.3.17

Crítica: Logan

Logan

Uma obra que conta uma historia de um homem, que, cansado de lutar e mais cansado ainda da vida, é obrigado a entrar em batalha novamente, para proteger um amigo querido e de longa data e uma garota que não conhece, mas, que cria uma empatia por ela.

Poderia ser uma sinopse pequena de um filme de ação qualquer, mas, não, o homem em questão é Logan, interpretado pela ultima por Hugh Jackman, o amigo querido e de longa data é Charles Xavier, vivido, também pela ultima vez, por Patrick Stewart, e a garota é Laura, interpretada brilhantemente por uma das desde já grandes surpresas na atuação do ano, Dafne Keen.

Felizmente, o filme sai da mesmice do possivelmente mais forte gênero de bilheteria que é de super herói, James Mangold, que também dirigiu “Wolverine: Imortal”, nos entrega um estudo de personagem inventivo, e usando o personagem mais carismático da Marvel como força principal de enredo. Vale destacar que, os aspectos técnicos no filme falam muito alto.






Vejamos, a disposição de atores e atrizes nas cenas de ação é perfeita, pois, conseguimos ver o tempo todo o que está acontecendo, e o publico consegue enxergar exatamente o gerou a ação, o foco da ação, a sequencia de ação e o fim da mesma, o que exige uma montagem hábil, com cortes pontuais e certos, e vale destacar que esses cortes são bem esparsos, até mesmo raros, já que vemos sequencias longas de luta, com câmera parada, em sua maioria, por conta disso, o espectador consegue ficar o tempo inteiro imerso na historia, sem esquecer-se dela por nenhum momento. E claro, a censura aqui é bem utilizada, já que o filme é tão violento quanto o que uma obra que protagoniza o Wolverine merece.

Mangold fez a mesma coisa em “Wolverine: Imortal”, porém, aqui, temos várias rimas visuais que valem a pena serem descobertas, e algumas podem ser destacadas tranquilamente, Logan chegando a Charles para aplicar a injeção para este parar de convulsionar – já que, os poderes também tem seu lado negativo – é a cena de “X-Men: Confronto Final” quando o mesmo Logan tem que chegar até Jean Grey quando esta perde totalmente o controle, dos poderes e da mente. Da mesma forma que, ele protegendo os grupos, a família, Xavier e Laura, crianças, lembra a cena de “X-Men 2” quando ele ajuda na fuga da mansão Xavier, no momento da invasão por Stryker.

E, já que citei os poderes tendo um lado negativo, vale citar que o filme acerta ao mostrar que tudo na vida tem um lado ruim, Xavier, por conta dos fartos poderes da mente que já conhecemos, acaba por ficar mais velho e com convulsões, que causam uma grande crise quando ocorrem, da mesma forma que uma das garras de Logan não sai mais totalmente de sua mão e o personagem passa a mancar para conseguir andar, o que, imagino, deve ter sido opção de Hugh Jackman para a composição do personagem.

Jackman, que, aliás, traz Logan como um personagem mais sensível e empático como de costume, com os seus olhos injetados de sangue e sempre passando afeto e amor ainda assim, o ator consegue, mais uma vez, nos trazer um Wolverine fiel aos desenhos e aos quadrinhos, e os aspectos citados acima, servem para trazer o personagem a uma realidade mais próxima da nossa.

Porém, o grande destaque fica para Dafne Keen, que traz em Laura a personagem mais complexa do universo Marvel em muito tempo, aproveitando muito bem seu tempo destacada na tela, a menina consegue, apenas com o olhar evocar várias emoções, como raiva, amor, curiosidade e claro, principalmente, vontade de sair de tudo aquilo, de todo aquele mundo e assim como em Logan, vemos uma empatia e vontade de ajudar o próximo, de forma que a personagem nos ganha rapidamente, assim como sua atriz.

Fazendo uma belíssima referencia a “Os Brutos Também Amam”, filme de 1953, dirigido por George Stevens, “Logan” nos traz o melhor filme de super herói em muito tempo, e Hugh Jackman e Patrick Stewart se despedem de seus papeis com maestria. Mangold consegue reunir essa despedida, com uma historia ótima, e talvez, com o único final possível nesse caso. Que obra ótima, tomara que mais filmes desse gênero sejam assim, apesar de ser uma expectativa grande demais, até mesmo para sonhadores como Logan. 

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