13.3.17

Crítica: Califórnia

California
Imagem do adorocinema,com

Nos últimos anos, tivemos, no cenário do cinema nacional, filmes que retrataram a juventude do ponto de vista do jovem, mostraram como é a vida naquela época, o período de descobertas e de auto descoberta. Entre esses filmes, um deles é este “Califórnia” lançado em 2015.

Dirigido por Marina Person, a obra conta a história de Estela, interpretada por Clara Gallo, que com 17 anos, é uma jovem no período final da ditadura militar, no ano de 1982. A menina tem um sonho, que é ir para Califórnia, passar um tempo com seu tio Carlos, vivido por Caio Blat, porém, se surpreende quando o tio volta para o Brasil, e está magro e apesar de querer disfarçar seu estado por amor a sobrinha, extremamente debilitado.






A atmosfera nostálgica é utilizada no filme de maneira belíssima, e de maneira a ser tão parte da historia quanto os seus personagens, através de musicas, fotos, pôsteres de filmes, e figurinos. E a nostalgia aqui, é algo que nos toca de maneira particular, pois, todos nós já passamos pelo período de juventude, logo, nos identificamos com as inúmeras festas, com a vontade de sair e de viajar sozinho ou com amigos, e claro, com a ideia que temos do mundo e das pessoas.

Ideia essa que permeia o ambiente de Estela, interpretada com sensibilidade por Clara Gallo, a garota tem uma idealização de todo no mundo dela, o que é perfeitamente comum nessa idade, em todos nós, ela tem uma ideia que as amigas realmente se importam com ela, mas, percebemos que suas companheiras se importam apenas com garotos e festas, e Estela tem conteúdo, ela tem uma ideia de Xande, o garoto do qual gosta, de ele ser um rapaz perfeito e doce, quando na verdade se importa apenas com sexo, e Estela quer uma ligação afetiva, ligação que ela encontra em João, representado por Caio Horowicz. E o fato de, João ter emprestado para ela o livro “O Estrangeiro” de Albert Camus, que tem como tema principal a auto descoberta, apenas mostra a vontade da garota em se conhecer melhor.

Vontade essa, que, convenhamos, todos nos temos vontade mesmo depois de adultos, mesmo depois de termos ido a festas, de ter descoberto a independência, e de perceber que a idealização que fazíamos quando jovens, nos parece ingênua quando mais velhos, mas, que éramos felizes tendo aqueles pensamentos, fazendo aquelas conjecturas, tendo aqueles sonhos.


E “Califórnia” nos mostra com sensibilidade aquilo que nos parecemos esquecer com o tempo, e que não podemos esquecer, porque precisamos da juventude para sermos bons adultos. 

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