27.3.17

Crítica: É Apenas o Fim do Mundo



Na obra do jovem cineasta canadense Xavier Dolan há o uso de nostalgia de maneira frequente, não como base das historias pelas obras, que é o caso deste novo filme, mas em aspectos pequenos, como um celular utilizado por um de seus personagens, uma musica usada em sua trilha sonora ou ainda um objeto de mobília usado em um dos ambientes do filme.

“É Apenas o Fim do Mundo” como já dito, usa a nostalgia como base. Contando a historia de Louis, interpretado por Gaspard Ulliel, que, após ter deixado a família por 12 anos, e ter uma carreira de escritor de sucesso, decide voltar para casa, a fim de rever o irmão Antoine – vivido por Vincent Cassel – a irmã mais nova, Suzanne, representada por Lea Seydoux, e a mãe Martine. Porém, a visita tem um objetivo maior por parte de Louis, que é avisar a família de sua morte.






A montagem do filme de Dolan expõe muito bem a nostalgia que absorve aquela família, usando de cortes secos para intercalar as conversas particulares de todos, e ainda utilizando de flashbacks que mostram um pouco mais da historia daquelas pessoas. Os diálogos são bem feitos e acabam por confirmar a mensagem que a montagem quer passar, e ainda é possível perceber claramente a construção da história por conta dos diálogos e da montagem.

As atuações do filme também merecem destaque, Vincent Cassel, que é Antoine, o irmão mais velho de Louis, é uma pessoa doce, amável, apesar de não saber se expressar, e por isso acaba por ser rude com as pessoas ao seu redor e apesar do que muitos possam pensar o vilão no filme não é Antoine e sim Louis, pela distancia opcional da família, pela apatia e pelo silencio em conversas serias, essa vilania de Louis, só é exposta por seu irmão. Marion Cotillard, Catherine, a mulher de Antoine, é muito bem construída pela atriz, mesmo ela não conhecendo Louis, é ela quem passa a verdade e o sentimento de saudade, assim como a mãe dele, Martine, vivida por Nathalie Baye, mas, diferente de Catherine, Martine passa os sentimentos através de exageros, como a maquiagem, a roupa, o uso frequente da bebida e do cigarro e claro, a fala rápida da personagem, muito bem feita pela atriz.

A fotografia é algo que faz parte da história tanto quanto os personagens, no caso, aqui, ela é escura em todas as cenas nas quais há apenas duas pessoas conversando, e é clara nas conversas em que toda a família está reunida, como na cena do almoço ao ar livre, ou nos aperitivos servidos na sala, o que dá a entender a esperança que a família tem em reencontrar Louis, e fazer com que a reunião de certo de toda e qualquer forma possível. Além de que, a escuridão na fotografia e nas conversas a dois, mostram que Louis se afastou por conta de algum arrependimento passado e por conta da culpa que isso gerou, acaba por decidir retornar a vivencia familiar, logo, podemos entender que a morte da qual Louis foi avisar não foi a morte dele, e sim a do distanciamento que ele mesmo gerou e que durou por tanto tempo.

O filme de Xavier Dolan é rico em sua historia, é rico em simbolismos, e se torna uma obra bonita e interessante de se assistir mesmo se esses simbolismos não são percebidos, graças as atuações de seu elenco competente, a uma fotografia inteligente e claro pela direção de um jovem diretor que ainda tem muito a mostrar.

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