22.3.17

Lista: Filmes sobre a indústria cinematográfica

Toda arte é metalinguística, seja esse aspecto predominante na obra em questão ou não, sempre há algo que remete ao próprio modo de fazer arte. Com o cinema não poderia ser de outro modo.


A seguir, você encontrará três filmes que são metalinguísticos, que falam ou sobre o modo de fazer cinema, ou sobre como a indústria mudou com o tempo, seja em seus meios de divulgação, seja em suas formas de produção e roteirização. Vamos lá! 





A Malvada

A Malvada
Lançado no ano de 1950, o filme dirigido por Joseph L. Mankiewicz, conta a história de Margo Channing (Bette Davis) e Eve Harrington (Anne Baxter), quando a ultima usa Margo e seus contatos para subir na carreira de atriz de teatro. O filme teve 14 indicações ao Oscar e ganhou 6, sendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Mixagem de Som.

A obra conta a história e permite que o espectador visualize detalhes de como era o mercado naquela época para os atores e atrizes iniciantes, e mostra também como o teatro passou do principal meio de ação para atuação para um caminho para ingressar no cinema, e isso não apenas para os atores e atrizes, mas, também para os diretores e roteiristas, que, com o tempo, passam a usar o teatro como porta de entrada de suas carreiras.

Com atuações primorosas de todo elenco, a obra conta com uma estrutura inventiva para a época, que era contar a historia usando flashbacks unidos a narração em off, além de movimentos de câmera e duração de cenas considerados inovadores até hoje. O filme continua sendo importante e influente no seu meio. 


Oito e Meio

Obra lançada em 1963 e dirigida por Federico Fellini, “Oito e Meio” conta a historia de Guido Anselmi, interpretado por Marcello Mastroianni, diretor de cinema que se encontra cansado e esgotado de sua profissão, e encara por um bloqueio criativo sério. Para resolver isso, ele decide ficar em um hotel isolado da cidade.

A obra consegue destacar perfeitamente como o processo de criação de um filme é complicado, pois, Fellini insere aspectos pessoais aqui, o próprio diretor disse que usou a própria dificuldade de fazer um filme para fazer este aqui. Usando seus personagens para dissecar aspectos da indústria cinematográfica desconhecidos do publico, “Oito e Meio” foi vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Figurino, e foi o Melhor Filme Estrangeiro de acordo com a associação de críticos de Nova York.

Com uma historia comovente e que gera empatia do público, “Oito e Meio” é mais uma parceria Fellini – Mastroianni, que inclui outra obra prima, esta vencedora da Palma de Ouro em Cannes no ano de 1960: “A Doce Vida”.

A Noite Americana

A Noite Americana

Filme dirigido por François Truffaut e lançado no ano de 1973, conta a historia de Ferrand, um cineasta, interpretado pelo próprio Truffaut, durante a produção de um filme. A obra destaca como é difícil lidar com pessoas, mostrando muito bem como cada um tem vontade de fazer o que quer.

E o grande ponto positivo do filme é expor como a produção de obra conta com inúmeras variáveis não planejadas pelo diretor, logo, percebemos como grande parcela das obras primas que o cinema produziu na maioria das vezes pode não ter sido intencional e sim gerada por acontecimentos que fizeram o filme acontecer, seja a pressão do estúdio para o termino da projeção, seja porque um dos atores, roteirista, produtor, editor, desistiu durante a produção, ou apenas por uma ideia que o diretor teve que o fez mudar tudo.

É claro que existem filmes que saem de acordo com o planejado, mas, como “A Noite Americana” observa muito bem, um filme é produto de muito estudo e de variáveis durante esse estudo, possivelmente, sem essas variáveis, o cinema não seria a arte que é, e provavelmente a vida não seria o que é.

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