24.4.17

Crítica: Viajo porque preciso, Volto porque te amo

Viajo porque preciso, Volto porque te amo

Toda pessoa tem, de tempos em tempos, vontade de esquecer de si mesma, e por isso há vários aspectos na sociedade que são populares por causar esse “esquecimento”, como drogas e álcool, arte e o trabalho. É justamente o trabalho como mecanismo de alivio que é a força desse filme “Viajo porque preciso, volto porque te amo”.

Dirigido por Marcelo Gomes e Karim Ainouz, a obra conta a história de José Renato, interpretado por Irandhir Santos, que é geólogo, e viaja a trabalho, trabalho esse que é a pesquisa de locais para a construção de um canal, pertencente a uma represa. Essas construções ficarão localizadas no interior do Pernambuco.





Todo o filme é em primeira pessoa, o que facilita o entendimento da mensagem principal, que é expor a solidão do personagem principal, por vermos o que ele vê, e por escutarmos sua voz, acabamos por criar empatia com o personagem, mesmo que não o conheçamos completamente, a câmera em primeira pessoa facilita o entendimento do sentimento do personagem, que na maioria das vezes é de dor e solidão.

As cenas longas facilitam a criação da sensação de solidão pelo espectador, e tudo isso fica integrado com o que foi descrito no paragrafo acima, e também na montagem, cheia de cortes secos e as falas longas do protagonista, porém cheias de sentimento, conseguem expor o isolamento do personagem. Isolamento esse que unido ao fato de o filme todo se passar no sertão, dão vida aos sons diegéticos que compõem sua trilha sonora.

E essa trilha sonora, junto com a montagem e com a atuação perfeita de Irandhir Santos, mostram com exatidão como é possível ser feliz sozinho, mas, é melhor ter alguém com quem compartilhar a felicidade, e é justamente isso que José Renato descobre na sua viagem e no seu trabalho, que o sentimento de dor e solidão dele vai passar, e quando passar ele vai aprender a lidar com isso com mais maturidade, mas que compartilhar as coisas boas é melhor do que guarda-las para si.

Marcelo Gomes e Karim Ainouz conseguem criar uma atmosfera tensa, e que ao mesmo tempo causa curiosidade no espectador, durante as suas uma hora e quinze de projeção ficamos o tempo inteiro pensando “Qual é o motivo da viagem?”, “O que ele está tão desesperadamente tentando esquecer?”, e por conta dessa atmosfera, de uma montagem acertada e de uma atuação competente, “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, é um filme dos mais profundos que o cinema nacional já produziu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário