2.5.17

Crítica: Sieranevada


“Sieranevada” não é um filme fácil por uma série de motivos, porém, o que justifica essa frase inicial é justamente por tratar de uma maneira real uma reunião familiar que acontece em um apartamento pequeno e que, acredito eu, a grande maioria das pessoas já esteve em uma reunião assim.

Com foco no personagem Lary (Vivido por Mimi Brãnescu), médico, e sua mulher, que, após a morte do pai dele, decidem por ir passar todo um dia com a família, e isso era algo que o patriarca recém-falecido gostava de fazer. Por ter se afastado de toda sua família por opção própria, o médico encontra pessoas e relembra acontecimentos que acabam por mudar sua personalidade.





Dirigido pelo romeno Cristi Puiu, o filme conta com uma inventividade técnica que é a sua maior qualidade. Com a duração de três horas, a obra se mantém na maioria desse tempo no apartamento do personagem principal. Para a história funcionar dentro do espaço mínimo de um apartamento comum são necessárias algumas coisas, como: montagem e movimentos de câmera acima da média.

Ambos os aspectos estão presentes na projeção, a montagem com cortes secos é acertada para expor com funcionalidade a passagem de tempo. Cada vez mais, no cinema, o tempo dos filmes passa mais rápido, dias duram segundos, horas duram minutos e assim vai, os cortes secos em “Sieranevada” expõem  perfeitamente que a história do filme dura apenas um dia. Um dia, disposto através de poucos cortes e com movimentos de câmera que deixam bem claro o momento do dia pelo qual passa

Movimentos de câmera que sendo fluidos mostram tudo o que ocorre no apartamento, seguindo as pessoas que estão nele e não os aspectos internos dos cômodos. Atrelando isso a montagem, é criada uma atmosfera realista e, claro, com uma sensação mais real de passagem de tempo. O som também é parte importante da construção da atmosfera, pois, a cada corte, o som muda, um exemplo, em determinada cena, uma música está tocando, ocorre um corte (Montagem), e a música muda, e assim, percebemos que já nos adiantamos um pouco na história. Isso ocorre de formas diferentes, as vezes, com um corte seguido de ausência de som, ou uma ausência – corte – presença de som, o que apenas deixa bem claro como o filme é rico em aspectos técnicos e como usa esses aspectos como forma de linguagem.

Riqueza essa que também está presente na realidade da reunião de família retratada ali, que, é algo com o qual, como já dito no primeiro paragrafo, a maioria das pessoas se identifica. Na reunião, ocorre muita fala e pouca conversa real, falas e conversas essas que ocorrem entre pessoas que se amam, claro, mas, ao mesmo tempo, são distantes uma da outra, e nutrem essa distancia, seja de forma direta ou indireta.

No caso de Lary, percebemos pelos acontecimentos mostrados justificativas pelo afastamento opcional do médico, e, as risadas dele durante o momento da maior briga familiar do filme mostram como tudo o que aconteceu é surreal. Aliando isso, com a montagem, som e movimentos de câmera, o público acaba por se identificar com ele e claro, acaba rindo também.

Logo, “Sieranevada” conquista seu público através da empatia, de um retrato da realidade e pela direção de Cristi Puiu, que orquestra aspectos técnicos de forma a contar uma história difícil, mas, que acaba se tornando bonita se observarmos bem. 

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