22.5.17

Crítica: Estados Unidos pelo Amor



A solidão é algo que está presente na vida de toda pessoa, ela é algo tão maleável quanto um resfriado, vem de várias formas, não precisa de um momento certo para chegar, as vezes chega de repente, em alguns casos chega quando não nos cuidamos, mas, de uma forma ou de outra, ela está sempre ali, presente, calma e viva, apenas esperando o momento certo de aparecer.

“Estados Unidos pelo Amor” é um filme que tem como personagem principal a solidão, dentro da história de quatro mulheres que, mesmo completamente envolvidas em suas vidas, acabam por se conhecer, seja de forma direta ou indireta. E, essas quatro mulheres tem uma coisa em comum, enfrentar diariamente diferentes tipos de solidão.




Dirigido por Tomasz Wasilewski, o filme conta a história de Ágata, Isa, Renata e Marzena, e mostra como elas lidam com seus problemas rotineiros no trabalho e em suas famílias, ao mesmo tempo em que faz um documento sobre como o vazio interior pode chegar de várias formas nos corações de cada um, e, para isso, aspectos técnicos são muito bem utilizados aqui.

As cenas que apresentam alguma vulnerabilidade ou possibilidade de alguma acontecer têm os acontecimentos ocorridos do lado direito da tela, quase no extremo dela, como se quisesse esconder esse sentimento de vulnerabilidade, e isso faz parte de uma decisão fotográfica acertada pela equipe do filme, pois, a fotografia aqui é essencial para a história, através dela descobrimos uma falta de cor quase total, o que reflete as desesperanças das protagonistas. A cor que se faz presente é algo que quer mostrar uma pequena luz para cada uma e está localizada em pequenas coisas como uma planta, uma cor mais viva nas roupas predominantemente sóbrias e na cor dos olhos das protagonistas.

Cor dos olhos que podem ser facilmente percebidas pelas cenas serem, em sua maioria, bem próximas das mulheres em questão, independente do momento, e merece destaque as cenas que apresentam uma serie de movimentos, como as de dança, as que mostram corridas ou a cena inicial do jantar.

O som é importante para a perpetuação do ambiente, sons diegéticos dominam a narrativa, e unidos à fotografia, acaba por remeter aos diferentes tipos de solidão ali retratados. Tipos de solidão que através de algumas das cenas de nudez fica bem clara. A nudez aqui é usada de forma corajosa, mostrando corpos reais, de pessoas reais, e não corpos de academia como a grande parte dos filmes, principalmente os do cinema norte americano. Até porque, a aceitação do próprio corpo faz parte da história do filme e, por isso, a nudez acaba por se tornar uma ferramenta necessária para a linguagem.

Linguagem que mostra que assim como um resfriado, a solidão chega de várias formas, seja pelo vazio de uma vida familiar já consolidada, seja pelo sucesso nos trabalhos, mas não nos relacionamentos, seja pela carência e saudade de uma vida que já passou ou pela juventude que gera indecisão e medos comuns da falta de perspectiva.

Mas, se para os resfriados nos temos remédios, para a solidão também temos, basta acharmos o remédio certo dentro de nos ou em apoios encontrados nas nossas vidas. E, acredite, tem mais remédios para solidão do que para resfriados. 

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