29.5.17

Crítica: Belos Sonhos

Belos Sonhos


É difícil escrever sobre “Belos Sonhos”, novo filme de Marco Bellochio, ultimo homenageado na Mostra Internacional de São Paulo, focando em seus aspectos técnicos. Não que eles sejam ruins, inclusive, muito pelo contrário, a parte técnica do filme contribui para a beleza de sua história.

História de Massimo Gramellini, jornalista do “La Stampa”, que perdeu a mãe com 9 anos. A vida dele mudou totalmente daquele período em diante. Ele se viu sozinho, triste, e sem nenhuma perspectiva do que fazer.





O filme decide por se basear livremente na autobiografia do jornalista, e o coloca em uma situação de venda do apartamento onde viveu com sua mãe, em Turim. Já no local, decidindo sobre o que será mantido e descartado, Massimo se lembra de alguns momentos de sua vida, que, para ele, são essenciais.

É muito difícil não se identificar com esses momentos, e principalmente, é muito difícil não compreender o porque de Massimo encarar a vida como o faz, pois, para quem já perdeu alguém, fica difícil não sentir empatia pelo homem. Seu olhar vazio apenas reflete o que está sentindo, que é saudade, todo o tempo, apesar do que seus colegas de trabalho e família pensam dele, a perda da mãe nunca foi superada, e não há vontade, por parte do protagonista, de superar.

Vemos isso através das lembranças que ele tem, em todas elas, vemos a influencia da mãe na vida do rapaz, desde sua profissão, já que a mãe o acompanhava enquanto escrevia seu dever de casa, o ajudando frequentemente, passando por seu estilo, as camisas e calças, que mesmo quando em tons sóbrios, há sempre algo amarelo ou vermelho, cores que a mãe gostava, e claro, a dificuldade de dormir dele passa por saber que quando acordar, a mãe dele não estará mais lá.

Ainda bem, que para Massimo, a superação pode ser difícil, até mesmo impossível, mas, a saudade o fará nunca se esquecer daquela que cuidou dele mesmo depois de falecida. A saudade, apesar de dolorosa, o fará sempre se lembrar e cultivar o amor e carinho pela mãe. A saudade o fará seguir em frente mesmo quando a dor prevalecer e provavelmente ganhar algumas das batalhas. E pode ter certeza que, ela vai ganhar as batalhas, mas, não vai levar a vontade dele de viver.

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