8.5.17

Crítica: Joaquim



Muitas vezes, ao nos deparar com a atual situação politica, pensamos que isso é algo de agora, que é uma coisa que apenas começou a acontecer recentemente. Parece que nos esquecemos do que aprendemos nas aulas de história na escola, ou, nós, por uma convenção pessoal, apenas escolhemos esquecer que tudo isso de hoje, começou há vários atrás, ainda no Brasil Colônia.

É justamente isso que “Joaquim” tenta explicar, contando a história do homem que foi Tiradentes, e esse é o motivo que o nome do filme é “Joaquim”, a obra dirigida por Marcelo Gomes (De “Viajo porque preciso, volto porque te amo”), conta a história do alferes, que é capaz de qualquer coisa para enriquecer.





O filme usa a aparência dos personagens de forma muito eficaz para demonstrar uma divisão entre maioria e minorias, mesmo quando essas maiorias se encaixam no grupo das minorias, enquanto os brancos usam roupas limpas, os negros e índios usam roupas rasgadas e sujas, mal realizando a distinção entre uma peça e outra do vestuário.

Assim como Joaquim não consegue realizar a distinção entre um ambiente no qual a elite domina e um ambiente de luta real por um objetivo comum, essa falta de distinção e instabilidade da época é perfeitamente bem exposta pelo uso da câmera no filme, em quase todas as cenas, a câmera se move, acompanhando os personagens em suas caminhadas por florestas e vilas, e faz isso de maneira rápida, quase sempre na mão do operador, querendo dizer que naquele momento da história brasileira, nos encontrávamos sempre em movimento, mas, isso não quer dizer que o movimento seja algo bom.

E, naquele caso em especifico, não era, vemos Joaquim como um personagem cruel, frio, e que é capaz de qualquer ato desde que acabe resultando em ouro para ele, logo, percebemos que o personagem não se envolveu na Inconfidência Mineira por uma real vontade de independência e de ajudar um povo que era oprimido, e sim, por um objetivo simples e fácil de entender: Enriquecimento. E aqui vale ressaltar que o desempenho de Júlio Machado é soberbo, o ator domina perfeitamente o papel, e sabe justamente o que fazer em cena, expondo ao público o que o seu personagem pensa sem a necessidade da fala.

Mas, é ai que está o cerne da questão, Joaquim defendia os interesses da elite, uma elite que queria a independência de um pais para ter mais dinheiro, porém, Joaquim, alferes, protético, não fazia parte da elite, e fazia sim parte das minorias que a elite desejava continuar subjugando, logo, percebemos que Joaquim era um homem que desde o começo foi enganado e principalmente, não percebia que estava sendo enganado, e prol dos interesses de um grupo menor em tamanho, mas, consideravelmente maior em poder financeiro.

Convenhamos que, essa situação que o filme expõe é justamente a situação que vivemos hoje, uma elite que quer dominar uma maioria quantitativa da população, que, é claro, não detêm o poder financeiro dos “elitizados”, hoje em dia tem a grande mídia para ajudar nessa dominação que a elite quer propor, mas, na época que o filme retrata, eram necessárias apenas pessoas que acreditassem naquilo que eram os interesses da elite, e que essas pessoas passassem essas crenças para as outras.

Opa! Isso também é feito hoje.

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