26.6.17

Crítica: T2: Trainspotting

T2: Trainspotting
Imagem: Revista Trip


Em 1997, quatro amigos escoceses, três deles viciados em heroína, após viverem algumas histórias juntos, conquistaram seu espaço no cinema. “Trainspotting” se tornou um clássico, e que até hoje conquista gerações, com seu visual inventivo, trilha sonora musical ótima e adequada, e um elenco competente, de onde saíram rumo ao sucesso Ewan McGregor e Jonny Lee Miller.

Sabendo disso, é normal que a sequencia desse filme, “T2: Trainspotting” tivesse um grande alcance de público e um interesse da critica, pois se trata da continuação de uma história 20 anos depois de seu inicio. Isso desperta o saudosismo, esse sentimento leva a outro maior ainda, a nostalgia.





Nostalgia que no novo longa de Danny Boyle (Mesmo diretor do primeiro), acaba por ser a única coisa que existe, já que, vemos exatamente a mesma historia, com o mesmo desenrolar, com basicamente os mesmos personagens, duas décadas depois.

Nesse filme, Renton (McGregor) volta a Edimburgo depois dos 20 anos passados do primeiro filme, e acaba por reencontrar os amigos Spud e Sick Boy, agora usando o nome de batismo Simon, e os três entram em um negocio para construir e administrar um bordel na cidade escocesa. Begbie está na prisão, por conta dos diversos crimes cometidos no primeiro filme.

Os aspectos técnicos da projeção não são inovadores, com exceção da narração em off que ocorreu no primeiro filme (Com destaque para o belo monologo), todo aquilo usado anteriormente se repete. As leves pausas em determinadas expressões, a música (Quase todas as músicas da obra noventista se encontram presentes aqui), a disposição de cortes, o uso da cor, tudo se repete.

O que mostra a falta de criatividade do diretor. Ele tem a sorte de contar com praticamente todo o seu elenco original, e de ter em mãos uma historia de um livro de sucesso (“Porno” sequencia do livro “Trainspotting”, ambos de Irvine Welsh), mas, a opção escolhida aqui foi utilizar aspectos da sequencia literária, no caso, pelo o que percebi a volta de Renton a cidade natal e a construção do bordel, mesclar com o que deu certo no primeiro filme e pronto.

Logo, apesar de ser muito satisfatório, divertido e até mesmo sentimental, rever os mesmos personagens, é um tanto quanto triste que a história tenha sido substituída pela nostalgia, além de demonstrar falta de inventividade, vemos que não há vontade de mostrar algo novo para os fãs.

Portanto, copiar quadro por quadro de cenas icônicas, por exemplo, Renton dando risada em frente a um carro durante uma perseguição, a cena onde eles estão juntos próximos a uma colina, mostra que o filme não foi feito para apresentar algo novo (Como “Mad Max – Estrada da Fúria”) e sim apenas como forma de adquirir lucro.

“Escolha a vida, escolha um bom filme, escolha a obra desse texto apenas como padrão de comparação, escolha o clássico original de 1997, escolha a inventividade, escolha novas histórias, escolha a vida”.

E infelizmente, “Vida” não é esse filme.

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