24.7.17

Crítica: Fome de Poder – A ambição para a destruição

Fome de Poder


Sempre que há possibilidade de algo bom e novo acontecer ou quando uma nova ideia surge, seja esse tipo de situação algo inovador ou mais simples como a possibilidade de crescimento no trabalho e similares, é ativado algo em nossa mente que nos diz “não conte para ninguém”, é justamente isso o ponto de partida do filme “Fome de Poder”.

A obra conta a história de Ray Kroc, proprietário mal sucedido de uma empresa de mixers específicos para milk-shakes, o homem roda drive ins dos Estados Unidos para tentar encontrar compradores do seu produto. Em um determinado momento de sua viagem, uma lanchonete chamada McDonald´s faz um pedido grande de mixers e Kroc ao chegar no local, decide fazer uma parceria com os donos.

O filme usa muito bem a montagem e a fotografia para contar o absurdo que Kroc comete com os irmãos McDonald´s. Tudo aconteceu de forma muito rápida, graças a inteligência dele na exploração da ideia. Percebemos isso claramente por meio de cortes secos e poucos movimentos que ilustram a velocidade, que é a palavra dominante aqui, da mesma forma que o dono de mixers é rápido em agir, ele viu que o diferencial na lanchonete em questão era a velocidade no atendimento.

A atuação de Michael Keaton é ótima e imprime trejeitos em seu personagem que o fazem parecer um homem que está sempre com pressa, ele anda rápido, olha de um lado a outro sem parar, sorri de forma abrupta, tudo em Ray Kroc é dominado pela agilidade. Ao contrário daquilo que vemos nos irmãos McDonald´s, interpretados por Nick Offerman e John Carroll Lynch, que são homens calmos, ponderados, metódicos e lentos, justamente esse ultimo aspecto foi o que fez Kroc ver uma brecha no negócio dos rapazes.

Através da fotografia, é possível perceber o uso frequente das cores vermelho e amarelo, cores essas que tem como característica despertar fome em quem as vê, logo, por esses tons serem especificamente dominantes nas cenas em que Kroc aparece, notamos como o homem tem fome de algo, a sua ambição desperta seu apetite em fazer dos irmãos meros empregados.

Essa ambição o leva a fazer de tudo para minimizar o padrão de qualidade e maximizar os lucros, claramente, uma medida do capitalismo corporativista, e é justamente essa medida que derruba os irmãos, não que eles não queiram lucros (claro que gostam, todo mundo gosta), mas, eles se importavam com os clientes, o que claramente o vendedor de mixers não faz.

Logo, vemos uma obra inteligente que mostra como aquele gatilho citado no primeiro paragrafo é algo que na maioria das vezes é bom usarmos. O filme mostra que, se os irmãos tivessem planejado a expansão entre eles, hoje o McDonald´s seria tão grande como é, mas, que se importaria com os clientes, e com o padrão de qualidade do que é servido, já que esse era o principio que regia a administração original.

Assim, “Fome de Poder” é uma obra que explica muito bem o crescimento de um dos maiores restaurantes do mundo, sendo claro e objetivo, de forma que é fácil entender o que aconteceu ali. E, se por um lado, é bom que entendamos o que se passou, por outro lado é triste ver que os reais criadores do sistema de Fast Food não são reconhecidos, assim como várias outras pessoas talentosas por ai.

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