28.8.17

Crítica: Vida - Competência mesmo faltando algo

Vida


Existem vários tipos de ficção cientifica, em determinadas categorias há um formato simples, um monstro, que tenta destruir tripulantes de uma nave, nave essa, mandada para explorar o planeta natal desse monstro. Nesse caso, duas coisas têm que funcionar, o suspense – se e quantas pessoas vão sobreviver – e o público precisa ter empatia pelos personagens da obra.

No filme “Vida” de Daniel Espinosa, a história tem esse formato simples, mandados por uma aliança formada por diversos países a Marte, uma tripulação (que não chega a pousar no planeta), precisa colher amostras e estuda-las, com o objetivo de descobrir se há ou não vida no lugar.




A tripulação é formada por seis pessoas, os homens Hugh, Shu, Rory (Ryan Reynolds) e Dr.Jordan (Jake Gyllenhaal) e as mulheres, Miranda e Ekaterina. Cada um tem sua função e especialidade, todas essas são necessárias para a vivencia deles e o estudo das amostras.

Tecnicamente, a obra é muito bem feita, abusando de panorâmicas longas, utilizadas em plano sequencia, percebemos através disso e da câmera subjetiva (ponto de vista do personagem) como a gravidade afeta o comportamento das pessoas ali dentro, acompanhamos, por esses aspectos citados, viradas de ponta cabeça, inclinações de ângulo, movimentos circulares, tudo isso facilita a percepção da presença da gravidade ali.

Unido a isso, está a fotografia, que ajuda ao criar de forma competente o ambiente interno da nave, dando uma igualdade a todos os ambientes, desde os mais quentes, como a mesa de jantar e a academia, até os mais frios, como o espaço de pilotagem e o laboratório, usando a luz para realizar a diferenciação.

A projeção conta também com uma atuação competente de todo o seu elenco, percebemos como cada um ali é necessário para que tudo ali funcione. Mas, tem um porém, em filmes de ficção cientifica que abordam a luta entre monstros e pessoas, há, como dito no primeiro paragrafo, a necessidade de união entre suspense e empatia do público para com os personagens, e aqui, esse último não existe.

Nunca sabemos as motivações que os fizeram estar ali, não conhecemos suas histórias, e por conta disso, o espectador nunca se flagra torcendo pela sobrevivência deles, e sim, apenas da palpites do que e como fazer, e isso é considerado empatia, mas, caso nós soubéssemos a história dos personagens, talvez acabássemos por gostar mais deles e refletindo mais sobre os efeitos do estudo realizado por aquelas pessoas.

Isso poderia ser resolvido através da montagem, com planos mais longos, as cenas seriam mais longas, e consequentemente o filme duraria mais, logo, com mais tempo de tela, o roteiro poderia desenvolver melhor seus personagens, usando seu ótimo elenco.

Logo, “Vida” é um filme que funciona em parte dentro da história que propõe, mas, talvez, se fosse mais longo, a obra teria mais vida.

Com o perdão do trocadilho. 

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