11.9.17

Crítica: Hitchcock/Truffaut - Aula sobre cinema

Hitchcock/Truffaut


Levamos a vida em sociedade, por vontade própria ou não. No coletivismo das nossas rotinas, somos influenciados por outras pessoas, às vezes elas são boas o suficiente para nos acrescentar algo, e em outras situações ocorre justamente o contrário disso.

No cinema não é diferente, cineastas influenciam cineastas a todo o tempo, o movimento Cinema Novo que ocorreu no Brasil em meados dos anos 60 e 70 teve influencia de três escolas cinematográficas fortes, o cinema russo, o neorrealismo italiano e a Nouvelle vague – o novo cinema francês.




É da Nouvelle Vague que surgiu François Truffaut, diretor importante, que, quando declarou ser um fã de Alfred Hitchcock, mestre do suspense e naquela época, um diretor considerado comercial, decidiu entrevista-lo e escrever um livro, contando um pouco sobre esse trabalho.

E, assim, nasceu o livro “Hitchcock/Truffaut” e alguns anos depois, este viraria um documentário.

Documentário dirigido por Kent Jones, conta justamente um pouco do livro, e de como este livro influenciou vários cineastas de gerações diferentes, que trabalham para públicos igualmente diferentes.

As entrevistas com esses cineastas são bem dispostas e variadas. A variação é construída pelas gerações já citadas e pela nacionalidade dos entrevistados, que vão de Martin Scorsese a Peter Bogdanovich. Essas fontes são usadas de forma inteligente, não vemos apenas os diretores contando de que forma foram influenciados por Hitchcock, há uma analise da obra de Alfred, usando alguns de seus grandes sucessos.

Essa analise passa por tendências e formas de linguagem que o mestre do suspense utilizava com frequência, como, por exemplo, filmar algumas cenas posicionando a câmera acima dos personagens, o que, para a maioria dos diretores foi considerado como forma de mostrar onipresença e controle do diretor.

A imparcialidade do documentário é interessante, pois, mostra um Hitchcock que é preso em sua própria forma de fazer um filme, o que leva a pergunta e a reflexão que o diretor teve e que o filme passa que é: Hitchcock foi um realizador que ficou preso dentro da sua própria forma?

Também destaco o uso da mídia. Truffaut e os críticos da Cahiers du Cinemá, revista para qual o francês escrevia e através dela que a entrevista se fez possível, por gostarem muito de Hitchcock, escreveram muito sobre ele, e isso fez com que os europeus o adorassem e com que os norte-americanos o reconhecessem.

Por ser curto, o documentário é uma espécie de resumo do livro, e funciona também como obra independente, não precisamos do livro para entender o filme. Caso tenhamos lido a obra, a projeção com certeza fica mais rica, mas isso não afeta quem não a leu de compreender o longa.

Logo, “Hitchcock/Truffaut” consegue ser um documentário excelente para aqueles que procuram um bom filme, consegue ser um material de estudo para pessoas que são interessadas em cinema e ainda mostra um pouco de como funcionava um dos grandes diretores que a indústria já viu.

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