30.4.18

Crítica: Com amor, Simon

Com amor, Simon
Imagem: Fox Film do Brasil / Divulgação

Filmes sobre jovens costumam ou serem bobos, clichês e sem nada de novo, ou apresentar algo bacana e atual, pertinentes a sociedade, mesmo que daqui para frente a temática da obra não seja atual, a jornada, as palavras utilizadas e o caminho percorrido serão.

“Com amor, Simon” é um filme sobre uma jornada de aceitação, interna por certos pontos, externa por outros pontos opostos, atual por se tratar de um rapaz adolescente com dificuldades para se assumir gay para os pais e amigos e para o mundo, tão hostil em relação a aceitação.


Dirigido por Greg Berlanti, a obra conta a história de Simon, interpretado por Nick Robinson, um rapaz no último ano do ensino médio, gay e com dificuldades para assumir isso para seus pais, representados por Jennifer Garner e Josh Duhamel e para os amigos, um deles é a amiga de infância Leah, interpretada por Katherine Langford, da série 13 Reasons Why.

A obra tem aspectos técnicos interessantes e que servem para comover o público de maneira orgânica, sem forçar o choro ou causar emoções que não condizem com as cenas em questão, logo, a montagem serve para manter o ritmo da narrativa, a fotografia serve para explorar a cor em certos momentos e a atuação de Robinson é essencial para o filme dar certo.

Os movimentos de câmera não são muito ousados, mas são concisos, sem exageros, com o uso de cortes secos para a exposição de vários pontos do mesmo plano, como por exemplo as cenas na escola, principalmente aquelas ocorridas no refeitório e as cenas na casa de Simon, onde vários cômodos são explorados, não apenas o quarto dele, mas a sala, o escritório do pai, a cozinha e a sala de jantar.

Interessante também como o filme se divide em sua uma hora e cinquenta minutos, em uma metade mais divertida - atenção na cena sensacional onde as pessoas se assumem héteros - e uma metade mais séria, que serve como estudo de sociedade e de personagem, mostrando Simon perante as dificuldades enfrentadas pela questão inicial e por outras secundárias, sendo que as últimas são muito bem tratadas por um roteiro redondo, que aborda outras histórias, mas não esquece da história principal, a de Simon.

Em relação a cor, vemos como ela é utilizada para expor um estado psicológico do personagem principal, se a cena é clara, é porque Simon está satisfeito com algo, feliz ou apenas pleno de algum fato, no caso da cena ser escura, é porque o personagem principal está triste, inseguro, cheio de dúvidas. No caso da cor azul, é por ele se corresponder com um rapaz via e-mail, com o apelido de Blue, essa amizade é um dos pontos principais da trama, pois Blue é também um rapaz gay com medo de se assumir, logo, a cor em questão é utilizada para expor a troca de e-mails e quando o tom é usado em algum dialogo com personagem, é porque Simon suspeita que esse personagem seja Blue.

Porém, nenhum desses aspectos seria possível sem a atuação consistente de Nick Robinson, que consegue transmitir sentimentos apenas por um olhar, ou pelo jeito de andar, inseguro em alguns momentos, altamente seguro em outros. Ele consegue passar as dúvidas e os medos que ele tem por falas simples, proferidas de maneira tímida pelo ator, demonstrando inteligência ao usar os anseios do personagem para a construção do mesmo, além disso, a amizade entre Simon e os amigos é bem explorada no desenvolvimento do papel.

Logo, “Com amor, Simon” é uma grata surpresa em um filme que tinha tudo para ser clichê e mais do mesmo, mas se revela uma sensível jornada interna de um personagem cativante que assim como qualquer outra pessoa na mesma situação que ele, tem anseios, medos, dúvidas, mas também tem felicidade e bons momentos, a maioria deles com outras pessoas.

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