6.5.18

Crítica: Ciganos da Ciambra

Imagem: Pandora Filmes / Divulgação


No período pós segunda guerra mundial, houve uma grande mudança no jeito de fazer cinema, principalmente na Europa, já que a indústria foi bem afetada devido ao momento histórico em questão. Porém, foi aí que se deu a criação de estilos cinematográficos, o principal deles foi o neorrealismo italiano, revelador de grandes nomes, importantes até hoje como Roberto Rossellini (“Roma, Cidade Aberta”) e Vittorio de Sica (“Ladrões de Bicicleta”).

Os princípios do estilo eram bem simples, o elenco tinha que ser composto de amadores, ou ao menos profissionais em inicio de carreira, o filme tinha que ser rodado quase todo em locações e com o máximo de iluminação natural possível e, como o próprio nome diz, ser uma obra de realidade, expondo um contexto existente.

Logo, ao assistir o filme de Luca Carpignano, “Ciganos da Ciambra”, vemos uma clara ideologia neorrealista, cumprindo a maioria dos requisitos para ser considerado uma projeção da escola em questão e usando de uma realidade presente na vida de muitas pessoas e com atenção da mídia, no caso, a crise de refugiados.


Acompanhamos Pio, um garoto de seus 12 ou 13 anos de idade que vive com sua família em uma casa minúscula em algum ponto não especificado na Itália. O irmão mais velho dele é a fonte de renda da família, para isso, ele realiza pequenos golpes, como roubo de rádio automotivo, venda de produtos furtados e gambiarras de luz e água, Pio quer fazer a mesma coisa que ele. O garoto recebe essa oportunidade quando seu irmão é preso.

Durante as suas duas horas de projeção, há muitas cenas com a câmera na mão e próxima a Pio, com dois objetivos provindos dessa atitude, o primeiro é causar um ar documental ao filme, mostrando as coisas pelo ponto de vista de Pio, assim como o neorrealismo italiano do pós-guerra, expondo os lugares e a situação real das pessoas. O segundo é aproximar o público do garoto e de suas inúmeras dúvidas, extremamente comuns pela idade dele.

A iluminação é toda natural, sem nada extra, assim como o elenco tem seus nomes reais mantidos e a família do filme é de fato uma família real, contribuindo para o mantenimento da ideologia de estilo e para o ar de documentário da obra, pois vemos as rotinas de pessoas na mesma situação descrita pela ótica dos personagens abordados no filme.

Fotograficamente falando, a obra consegue ser expressiva ao criar imagens fortes utilizando a luz e assim descrever estados psicológicos de seu personagem principal, as cenas são mais claras quando Pio está fazendo o que quer fazer, mesmo que o ato em questão seja errado, demonstrando a felicidade do garoto e o claro desconhecimento das consequências que os atos dele podem ter e, em cenas mais escuras, é quando vemos Pio descontente com algo, seja porque a mãe brigou com ele, porque ele não conseguiu fazer o que queria ou por algum motivo bobo e infantil condizente com a idade.

Portanto, “A Ciambra” é uma clara homenagem a um movimento tão importante na história do cinema e é um filme social, abordando uma questão atual e claramente, como a obra faz questão de expor, não vai ser resolvida com velocidade, devido ao desinteresse de quem pode ajudar. 

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