18.6.18

Crítica: Em Pedaços

Em Pedaços
Imagem: IMOVISION / Divulgação

Fatih Akin é um diretor turco que com o aumento da imigração de refugiados para a Turquia e Alemanha, usa essa atualidade em seus filmes. Apesar de inteligente nessa escolha, seus trabalhos não são de todo bons, devido a inconsistência do elenco, que conta com atores e atrizes fracos ou no máximo medianos, se não fosse isso ele seria mais conhecido. Felizmente, isso não acontece “Em Pedaços”, um ótimo estudo de atualidade e de personagem.

Lançado em 2017, escolhido como pré-candidato ao Oscar 2018 chegando até a fase dos nove finalistas, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, a obra conta a história de Katja (interpretada por Diane Kruger), mulher alemã, casada com um turco e com um filho de seis anos. Ele trabalha em um escritório, e no dia em que estava cuidando do filho no trabalho, uma bomba explodiu em frente ao local, matando os dois. Katja passa a ajudar nas investigações para a descoberta do culpado.


A obra consegue nos oferecer uma história muito bem estruturada e fotografada, com poucos cortes e sem uma trama secundária, logo, por ter apenas um foco, a montagem do filme traz ritmo a narrativa sem se preocupar com outras coisas, o roteiro consegue dar nó em todos os pontos, sem deixar nenhuma brecha ou algo para se resolver.

Na estrutura, a obra é dividida em três partes basicamente iguais no quesito tempo, a primeira parte trata da família e do atentado, a segunda parte mostra a prisão, julgamento e resultado deste, a terceira fecha o ciclo interno de jornada da protagonista, expondo como ela lidou com o fim do processo pelo qual passou.

Katja está no centro de todas as partes, assim, vemos como Diane Kruger consegue passar sentimentos sem forçar o choro, não que ela não comova com a sua tristeza e na exposição do seu vazio. Kruger mostra a personagem como uma mulher que perdeu tudo e, como toda pessoa nessa situação, ela não sabe lidar com isso, assim é compreensível certas atitudes, como o uso de drogas, a vontade de ficar sozinha o tempo inteiro, a falta de calma e de racionalidade em alguns momentos e a constante perda de vontade.

Para expor tudo isso, são utilizados movimentos de câmera e são evitados os cortes secos, ao escolher travellings para o lado, seja o esquerdo ou o direito, é possível notar como em um mesmo plano podem ocorrer diversas coisas, um exemplo disso é uma das saídas de Katja no tribunal no meio da sessão - um dos momentos de falta de calma dela - e a cena final da projeção, que inicia em um plano geral muito bem feito e surpreende devido ao seu contexto.

Esse tipo de coisa torna o filme elegante e harmonioso, assim como sua fotografia, quase sempre escura, expondo o estado de espirito da protagonista, reparem como após ela usar drogas, a cena se torna levemente mais clara por um momento, expondo que a personagem está sob o efeito dos entorpecentes, não que esse tipo de ferramenta fosse necessária, até porque nós vimos ela usando, mas, como é usada de forma discreta, essa atitude é uma virtude e não um excesso.

Portanto, “Em Pedaços” é um filme que leva Fatih Akin a um novo patamar, pois apesar de sempre competente na técnica, agora ele sabe o beneficio que uma boa atriz acompanhada de um bom elenco pode trazer as suas obras. Essa projeção é um ótimo trabalho devido a técnica, mas se sobressai graças a Diane Kruger.

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