25.6.18

Crítica: O Amante Duplo

L'Amant Double
Imagem: Adoro Cinema / Califórnia Filmes
Como vários filmes ao longo da história provaram, o cinema é uma arte apreciadora do duplo. Assim, sempre há obras com essa temática, ou ao menos projeções utilizadoras desse assunto em algum momento de sua duração.

François Ozon, diretor francês, decidiu usar a multiplicidade no seu novo filme, concorrente a Palma de Ouro em Cannes no ano de 2017, “O Amante Duplo”, nele, é abordado o quanto uma personalidade pode ser desenvolvida e as várias nuances possíveis que podem ser assumidas por uma pessoa.


Chloé, interpretada por Marine Vacht, é uma jovem mulher de 25 anos. Sentindo recorrentes dores no ventre, a moça passa por uma bateria de exames e quando sai o resultado, a médica diz que pode ser psicológico e recomenda terapia. A moça passa a ter sessões com Paul (Jeremie Renier), e de fato, o tratamento se mostra eficaz, porém as consultas são interrompidas porque Paul se apaixonou pela paciente. Ela descobre, após o relacionamento ficar sério, que seu parceiro tem um irmão gêmeo e não fala dele de jeito nenhum, ela se envolve com esse irmão e aí o duplo é abordado.

Apesar da sinopse acima ser longa e parecer expositiva, a projeção prova ser muito mais do que um drama sobre relacionamentos e adultério, o espectador é convidado a ver um filme aparentemente simples, mas acaba por se revelar mais complexo de maneira gradual, brincando com o público, pois este pensa estar certo e ter adivinhado a história, porém não é assim.

Isso se deve a qualidade técnica da obra, principalmente nos diálogos, muito bem escritos e orquestrados, as falas sempre remetem ao ambíguo, elas nunca são aquilo aparentado e esse aspecto causa curiosidade no público, sempre buscando descobrir algo que o filme vai revelar, mas não sabemos em qual momento.

Claro, para os diálogos funcionarem tão bem, não basta apenas serem boas falas, as linhas têm que carregar consigo dois aspectos, não levar coisas obvias, desnecessárias ou autoexplicativas ao público, deixando que ele descubra e defina por si só a história e serem bem representados, isso passa pelo elenco.

Altamente competente, Marine Vacht é dominante desde o princípio da projeção, quando seus olhos encaram o espectador de maneira penetrante, percebemos por aqueles breves segundos a curiosidade da personagem em descobrir todos os motivos de a vida dela ser daquele jeito. Jeremie Renier interpreta dois personagens, totalmente diferentes, de maneira distinta, fazendo o público acreditar que de fato são duas pessoas completamente opostas.

Essas diferenças, também são expostas pela montagem e fotografia, quando Louis (o gêmeo) é mostrado, ele está sempre do lado direito do plano, sempre de preto e quase sempre em movimento. Em compensação, Paul está no lado esquerdo do plano, usando cores claras e em ambientes bem iluminados e na maioria das vezes está parado, sem se mexer, calmo.

São essas coisas, as duplicidades, que fazem o filme de Ozon ser tão rico para todos os tipos de públicos. A obra se torna uma das melhores de seu repertorio e ainda dá abertura a outros grandes filmes que futuramente ele adote como projeto. 

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