10.6.18

Crítica: Um Lugar Silencioso

Um Lugar Silencioso
Imagem: PARAMOUNT PICTURES / Divulgação

Nos idos do cinema, quando os filmes eram mudos e na época seguinte a essa, quando eram sonorizados, a imagem era mais essencial do que hoje, pois era ela quem precisava contar a história, mesmo com os diálogos escritos em quadros próprios para ele, sem a imagem, não seria possível o cinema ser o que é, pois a sétima arte é imagética.

O som é um complemento disso e como diria o diretor Robert Bresson, “O cinema sonoro criou o silencio”. Assim, ao assistir “Um Lugar Silencioso”, uma obra que tem sua força nas imagens e na presença e ausência de som, foi inevitável não pensar no cinema no começo de sua história.


Dirigido por John Krasinski, a obra conta a história da família deste, que estão sobrevivendo em um mundo no qual não se pode fazer barulho, pois o som atrai criaturas que matam as pessoas que o originaram. Assim, ele, a mulher (Emily Blunt) e os filhos (uma menina e um menino), tentam sobreviver a um ataque das criaturas em questão na fazenda onde eles vivem.

Todo o filme é estruturado pelo ponto de escuta subjetivo, ou seja, o público escuta exatamente o que os personagens escutam, que no caso é nenhum barulho, assim o silencio serve para criar a tensão e de fato ser o verdadeiro terror da obra, sem a necessidade da apelação para monstros, suspenses mal construídos e trilhas sonoras exageradas, pois é na ausência de barulho e portanto em um som que surge de repente que o medo está contido.

Assim, o filme prende o espectador justamente por essa tensão criada pelo som, que se mantem durante os três atos – aqui dispostos pela contagem de dias que aparece na tela em três momentos – e o silencio, tanto na obra quanto no ambiente em que o público a assiste, é essencial para a construção da projeção, “Um Lugar Silencioso” é um filme que funciona por conseguir unir os aspectos internos e externos do audiovisual.

Para isso, além do som e da estrutura embasada por ele, são utilizados o roteiro e o elenco, ambos muito bem trabalhados durante a obra. Em relação ao roteiro, o filme não dá um ponto sem nó e usa todos os aspectos possíveis para amarrar a história e fecha-la, desde uma lâmpada e um sinalizador, passando por um prego e até um aparelho auditivo, todos esses servem para ligar uma cena a outra e sempre com um sentido que se faz importante dentro do filme.

Já no elenco, contamos com a ótima atuação de Emily Blunt (Talvez uma das melhores de sua carreira) onde ela apenas com seu olhar e sua expressão facial consegue transmitir emoções como se fossem diálogos longos, por exemplo, na cena onde ela desce a escada para ir ao porão e toda uma sequência importante começa ali. Também vale o destaque para Millicent Simmonds, a filha, que passa toda a culpa que sente por um determinado fato e mais toda uma complexidade de sentimentos da personagem apenas pelo olhar e pelos sinais incessantes usados para se comunicar.

Assim, “Um Lugar Silencioso” se estabelece como um dos melhores filmes do ano, por saber criar um terror não apelativo usando um elemento técnico essencial para o cinema, a proposta do silencio faz o filme mais interessante e o fato de a projeção estar no gênero cinematográfico que está, faz a obra ainda mais complexa.

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