30.7.18

Crítica: Missão Impossível - Efeito Fallout

Missão Impossível - Efeito Fallout
Imagem: Paramount Pictures / DIVULGAÇÃO

A franquia “Missão: Impossível”, iniciada em 1996, sempre trouxe inovações no gênero de ação, ao mesmo tempo que traz o aquilo que o público deseja, puro entretenimento, simples assim. Um personagem bem definido interpretado por um ator carismático, elenco secundário bem construído e claro, grandes sequencias de ação por duas horas ou mais.

Três anos após dirigir “Nação Secreta”, Christopher McQuarrie volta ao comando de um filme da franquia, porém, apesar do mesmo vilão, “Efeito Fallout” é uma obra melhor que a antecessora, usando os pontos positivos desta e trazendo outras coisas interessantes, mesmo que uma delas seja do filme passado.


Como sempre estrelado por Tom Cruise, novamente o agente secreto Ethan Hunt está enfrentando o Sindicato, agora convertido em uma facção chamada “Os Apóstolos” que planeja usar um elemento químico raro para criar bombas e utiliza-las como bem entende. Para ajudar na missão, Ethan conta com a ajuda de sua equipe formada por Luther (Ving Rhames), Benji (Simon Pegg) e Ilsa (Rebecca Ferguson) e com o novo membro Walker (Henry Cavill), todos com o objetivo de impedir a utilização das bombas e de manter Solomon Lane (Sean Harris) preso.

O filme trabalha bem criando a tensão e perigos reais de morte para o protagonista, além de ter sequencias de ação muito criativas, com a câmera sendo bem movida e com cortes nos pontos certos, fazendo com que o público enxergue toda a cena, seja lá o quanto movimentada seja, sem nenhuma dificuldade.

Esses cortes também servem para trabalhar o desenvolvimento do vilão (ou vilões). Novamente sendo o principal antagonista da trama, Lane é mais aprofundado, com a ajuda das informações dadas ao público no filme anterior, vemos um vilão mais objetivo em ter o que quer e com as suas motivações sendo melhor expostas, graças a um roteiro bem escrito.

Roteiro este que sendo complexo, trabalha a tensão muito bem usando os espaços onde as cenas acontecem e claro, essa tensão é o sentimento dominante nas cenas de ação, como por exemplo na cena onde Ethan e Walker saltam de paraquedas, que é brilhante justamente por fazer o público, já no início, não tentar prever o que acontecerá e na cena da perseguição em Londres, onde a pé, Hunt nos dá um dos melhores momentos da franquia, correndo e pulando de prédios como poucos.

E se o significado de Hunt em português é “caça”, Ethan de fato está sempre caçando, porém, ao contrário de outros filmes de ação, os bandidos aqui oferecem um perigo real, equilibrando a luta e não servindo apenas de saco de pancada, dificultando a caça, um exemplo disso é a cena da briga no banheiro, porém, todas as outras sequencias de ação podem comprovar este ponto.

Assim como a atuação de Tom Cruise, um ator sempre intenso em seus papeis. Ele nos oferece mais uma vez um Ethan Hunt ativo, inteligente, articulado e apesar de toda a loucura que acontece, otimista, acreditando que tudo vai dar certo no final, mesmo que não seja exatamente como ele deseja.

O elenco secundário novamente faz um bom trabalho, o destaque vai para Simon Pegg, um ator com ótimo timing cômico, soltando suas piadas de maneira natural, soando convincentes por isso, mesmo que o momento para as gracinhas não seja o ideal e Henry Cavill oferece um trabalho interessante, mostrando firmeza na criação do personagem, assim como fez na série The Tudors e como Super Homem.

Apesar disso tudo, no terceiro ato, o roteiro peca ao estabelecer diálogos expositivos e bobos, explicando coisas ao público que já tinham sido explicadas, o exemplo claro é o desarmamento (ou não da bomba), porém, a grande parte dos diálogos deste ato poderiam ter sido feitos de outra forma, talvez sendo mais curtos ou caso tivessem reescritos eles funcionassem perfeitamente.

Se sustentando por duas horas e meia sem abaixar o nível de qualidade em nenhum momento, “Missão: Impossível – Efeito Fallout” é um filme de ação que impressiona por seu ritmo, pelas cenas bem construídas e pertencentes ao gênero e claro, pelo personagem principal que nunca decepciona, assim como o ator que o interpreta.

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