23.7.18

Crítica: Isle of Dogs

Isle of Dogs
Imagem: Fox Film do Brasil / Divulgação

Wes Anderson é um diretor que tem um estilo próprio de direção. As características dele, felizmente, não são excêntricas e fazem bem a arte. Elas se misturam com a técnica necessária para fazer um bom filme, a simetria (principalmente a central), uso inteligente de cor, estruturação com base nos movimentos de câmera e história envolvente.

Um grande exemplo disso é o novo filme dirigido por ele, “Isle of Dogs” é uma obra que contem todos os aspectos de estilo citados acima e acrescenta os detalhes próprios de uma animação. A história apesar de séria, é tratada e ritmada de maneira leve, com personagens que conquistam o público, seja por sua doçura ou por seu pessimismo.


Após uma epidemia de uma doença chamada gripe canina começar, todos os cães foram isolados em uma ilha (que é basicamente um aterro sanitário) pelo prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura). O sobrinho deste, Atari, rouba um dos aviões de seu tio e vai até o local para procurar o seu cão Spots (Liev Schreiber), se juntam a ele na busca outros cães, Boss (Bill Murray), Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), Duke (Jeff Goldblum) e King (Bob Balaban). Ao mesmo tempo em que isso ocorre, Tracy (Greta Gerwig) lidera o movimento a favor dos cães na sociedade.

Para estruturar esse filme, Anderson usa os detalhes da animação, unidos aos movimentos de câmera característicos de sua obra. Os quadros são compostos de maneira uniforme, sempre mostrando os personagens de uma mesma forma durante toda a projeção, sozinhos eles ficam centralizados no quadro, quando estão acompanhados, eles são mostrados lado a lado em uma distância igual de um para o outro.

Isso serve para colocar o público na obra e fazer ele ler os personagens da maneira necessária. Todos eles são essenciais na trama e, por conseguinte, as vozes também, cada voz se adéqua a aspectos particulares da personalidade, isso se deve ao excelente trabalho dos dubladores, pois conseguem fazer os cães serem reconhecíveis apenas por suas falas.

E esse reconhecimento é essencial, pois eles são diferentes uns dos outros e é isso que os une, Boss é o otimista do grupo, sempre pensando no coletivo, Rex é o gentil, Duke é aquele que segue os passos dos outros para não ficar sozinho, assim como King e Chief é o “do contra”, sempre usando o seu pessimismo como forma de autoproteção, pois tem medo do que pode acontecer caso seja diferente, a cada “eu mordo” isso fica claro.

É também por essa fala que percebemos o bom humor do filme – e, portanto, sua leveza – apesar da temática pesada, de isolamento e luta por parte dos personagens, as vezes nos pegamos rindo quando estamos assistindo. Justamente por isso, a obra se torna relevante, pois a luta dos cachorros não tem sentido se eles não se divertirem de vez em quando.

Os detalhes da animação são muito bem feitos, como as lágrimas que constantemente aparecem nos olhos de algum personagem e a montagem com flashbacks bem encaixados, contribui para esse detalhismo, não deixando brechas no roteiro e amarrando pontas necessárias, como uma que envolve Spots, uma que contextualiza a história e aquela que envolve Atari e mostra os laços dele com o cão e por consequência, os motivos de sua busca.

Sendo uma homenagem a coisas que Anderson parece gostar, como cães e elementos da cultura japonesa – Kobayashi está sempre vestido como um samurai, o nome de Atari é o mesmo do famoso videogame e a mistura de passado e futuro utilizada em filmes catástrofe feitos no Japão, mas, ainda assim, nesse ponto, ele errou na homenagem (o que é um assunto para outro texto) – e a coisas que Anderson parece achar necessário. “Isle of Dogs” é um filme conquistador, seja pela história, pelos detalhes ou apenas pelo bom humor com o qual é tratada a temática da obra.

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