6.8.18

Crítica: Os Incríveis 2

Os Incríveis 2
Imagem: Disney / Buena Vista / DIVULGAÇÃO

Em 2004, quando “Os Incríveis” foi um grande sucesso nas bilheterias de todo o mundo, o filme apresentado é uma obra de heróis, obrigados a viver escondidos e a não interferirem na segurança da sociedade. A obra conquistou por ser divertida ao mesmo tempo em que serviu para mostrar que é possível fazer filmes de heróis, cada vez mais negligenciados, de uma forma boa e sem maneirismos comuns.

Brad Bird volta a direção de “Os Incríveis”, dessa vez com sua sequência, 14 anos depois do sucesso do primeiro filme, “Os Incríveis 2” é ambientado logo onde o antecessor acabou, ou seja, quando o Escavador invade a cidade, apesar disso, a história é sobre um magnata que quer a volta da legalidade para os heróis, com esse objetivo, ele contata a Mulher Elástica, o Sr.Incrível e o Gelado, contrata os serviços da moça para enfrentar o Hipnotizador, enquanto isso, Sr.Incrível cuida dos filhos.


Com essa sinopse vemos também o principal arco que o roteiro cria para o filme, que é o da Mulher Elástica. A protagonista dessa obra, ganha aprofundamento e um background interessante, descobrimos isso nos diálogos com os patrões – o magnata e a irmã deste – e principalmente nas sequencias de ação.

Ação que é inventiva e não cansa os olhos, por não se manter na mesmice das brigas e explosões, mas por inovar e fazer os poderes serem usados de formas adequadas ao momento, como, por exemplo, na excelente cena da perseguição ao trem, onde vemos Mulher Elástica usando suas habilidades de formas variadas, os estilingues e o paraquedas – que já vimos no primeiro filme – o corpo sendo usado para aumentar a velocidade da moto, ou para faze-la passar por lugares diferentes, tudo isso faz as sequencias funcionarem.

Assim como o oposto da ação funciona, pois, se o arco da Mulher Elástica é bem movimentado, o do Sr.Incrível é mais parado no que diz respeito a ação, porém dinâmico graças aos filhos, Flecha, Violeta e Zezé, sendo que é por causa do último que as cenas mais engraçadas acontecem, com destaque para a cena dele com a estilista Edna Moda.

Essa oposição traz o grande ponto positivo do filme, mostrar como a mulher é empoderada e faz o que quiser e quando quiser, inclusive salvar o mundo e que o homem deve ajudar em casa e ser presente nas vidas dos filhos, o Sr.Incrível mesmo com pensamentos errados inicialmente, percebe essas coisas e muda no decorrer da obra.

A mudança ocorre ao mesmo tempo em que o desenvolvimento do vilão, porém, este fica defasado por ser previsível quem ele é e o que deseja fazer com os protagonistas, assim, o mistério que tentaram criar em torno da identidade do vilão é algo dispensável, chegando até ser bobo em alguns momentos.

Porém, essa fraqueza no vilão é compensada com os inúmeros detalhes visuais e psicológicos na construção dos personagens. Todos eles têm suas feições muito detalhadas e bem feitas, a cor do filme é mais clara nas cenas com a família Pera e mais escuras nas cenas com os vilões e os ambientes são bem construídos e feitos para compor as batalhas que ocorrem de forma a participarem destas.

Logo, valeu a pena esperar 14 anos para uma sequencia de tamanha qualidade, tanto na história, mantendo a essência e adicionando coisas novas, quanto na qualidade visual dos detalhes e das cenas de ação, sem esquecer o arco principal, onde uma personagem amada se torna a protagonista do filme.

“Os Incríveis 2” prova como Mulher Elástica estava certa em dizer “Garotas, vamos deixar que os homens salvem o mundo? Claro que não, claro que não”.

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