17.10.18

Crítica: O Estado contra Nelson Mandela e os Outros

O Estado contra Nelson Mandela e os Outros
Imagem: Adoro Cinema / DIVULGAÇÃO
Em dado momento do julgamento em 1963, pelo qual Nelson Mandela e mais oito homens foram condenados por terrorismo, ele diz que “não luta pela supremacia branca e nem pela supremacia negra, eu luto pela igualdade e eu espero ver esse ideal realizado, mas, caso seja necessário, eu morro por ele”.

Na época em que vivemos, em que extremismos são dominantes, escutar isso no áudio original do julgamento, da voz do próprio Mandela, é algo triste e emocionante. Triste porque essa luta continua, emocionante porque esse ideal continua vivo.

“O Estado contra Nelson Mandela e os Outros” é um documentário que conta a história desse julgamento, usando o áudio original dele, único registro da ocasião. Dirigido por Nicolas Champeaux e Gilles Porte, a obra também entrevista alguns dos condenados que ainda estão vivos, a viúva de Mandela, Winnie e se estrutura entre depoimentos e o áudio. 


A projeção se utiliza dessas entrevistas, para estabelecer pontos e contrapontos, reconstrói o julgamento com animações muito bem feitas, dublando as pessoas com o áudio original do momento. Essas animações, além de bonitas visualmente, são em preto e branco, parece que são feitas em carvão, contextualizam bem a época histórica, de apartheid e luta dos negros por direitos iguais.

As oposições são construídas em sua maioria graças a essa animação, que dão um conteúdo imagético necessário, pois esse áudio, apesar de explicativo, precisa de algo que o complete, para ajudar o público a acompanhar.

Unindo isso aos depoimentos, o documentário se torna rico, pois as entrevistas foram muito bem conduzidas e não foram apenas os depoimentos dos condenados que foram colhidos, os filhos do promotor também tiveram espaço para falar.

Na maioria das vezes, o corte utilizado é o corte seco. Graças a essa ferramenta técnica que o documentário tem um ritmo invejável e mostra os depoimentos de forma que todos são protagonistas, com tempo quase igual de tela para os entrevistados, por isso que durante as uma hora e quarenta de projeção, não há perda de qualidade em nenhum momento, a intensidade é mantida sem problemas e os diretores aumentam esse ritmo com táticas simples usadas na animação, como a toga do promotor aumentando de vez em quando, engolindo o acusado, como se o tecido representasse a injustiça, ou quando o som aumenta para ouvirmos mais claramente os brados do povo.

Fora que essas atitudes, explicitam de forma elegante, o ponto de vista pessoal dos diretores e com isso, a decisão deles de entrevistar membros da família do promotor de justiça, é acima de tudo honesta, pois Champeaux e Porte aparentemente são pessoas de ideologias diferentes da do promotor.

Portanto, “O Estado contra Nelson Mandela e os Outros” é um filme muito bem dirigido pelos dois diretores, pois são estabelecidos honestidade, história e pontos de vista diferentes a cada quadro da projeção.

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