17.10.18

Crítica: Em Chamas (Burning)

Em Chamas (Burning)
Imagem: Pandora Filmes / DIVULGAÇÃO
Lee Chang-Dong é um dos nomes sul coreanos que fizeram o país ser respeitado atualmente na sétima arte, com uma carreira longa e talentosa, o realizador tem no seu novo trabalho “Em Chamas” um filme curioso, mesmo que confuso no terceiro ato de suas 2h30 de duração.

O filme conta a história de Jong-Soo (interpretado por Yoo Ah-Ih), um entregador que em um dia normal de trabalho, encontra uma colega de infância Hae-Mi (representada por Jeon Jong-Seo). Após restabelecer a relação, ela viaja e pede para ele cuidar do gato dela, quando ela volta, está acompanhada por Ben (Steven Yeun, o Glenn da série The Walking Dead), um jovem rico que logo se estabelece na relação de amizade entre os dois.
Chang-Dong não tem pressa em desenvolver sua história, usando um roteiro bem escrito, aprofundando bem os três personagens centrais. Dessas 2h30, quase uma hora é concentrada em apresentar os três protagonistas, explorar as particularidades de sua vida e expô-las ao público através de uma fotografia inventiva.

Fotografia que usa muito bem o fogo – por isso o título “Burning” no original – através dos tons claros e dos sentidos metafóricos dados ao calor. Os planos utilizados, além de serem bem amplos, gerais, enquadramentos que coloquem os três personagens quase sempre no mesmo quadro, usando cores claras como amarelo, laranja, vermelho, bege para ilumina-los igualmente.

Mas, o que conquista é a metáfora, até porque, o calor das cores completa o calor do sentimento, Jong-Soo sente desejo por Hae-mi, sente de raiva de si mesmo e de seu pai por estar preso, sente inveja de Ben por querer ser bem sucedido como ele é e com a idade que ele tem, além da curiosidade por ter vontade de se descobrir além da raiva que sente.

Ou seja, quatro tipos de calor estão na mesma pessoa e Yoo Ah-Ih, consegue passar muito bem todos eles em uma interpretação que prende o espectador no filme, seja por gostar do personagem ou apenas por ficar curioso com o destino dele, pois, o primeiro ato constrói os personagens, o segundo desenvolve a história, criando expectativa de forma soberba, o terceiro tenta cumprir essas expectativas.

Digo “tenta”, porque a obra se torna metafórica ao extremo, colocando as certezas que tínhamos nos primeiros atos como dúvidas cada vez maiores quanto mais perto o final do filme. Essas questões são essenciais para o entendimento da trama, mas, o terceiro ato não trabalha essas perguntas corretamente, então sobram apenas falta de respostas, por exemplo, o relacionamento entre Hae-Mi e Jong-Soo de fato aconteceu? Ela existia? Jong-Soo imaginava Ben pois este último era quem ele queria ser? Ou seja, tudo o que moveu a trama de Jong-Soo era interno ou passado que ele lembra com saudosismo?

Apesar de bem escrito, o roteiro não dá solução para essas perguntas, mas, se a falta de respostas serve para algo nesse caso, é para debatermos o filme com outros espectadores, “Em Chamas” serve como motor de conversa devido aos questionamentos que deixa após o seu fim, por isso, o novo filme de Lee Chang-Dong funciona exatamente como tem a intenção de funcionar.

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