7.1.19

Crítica: Eighth Grade

Eighth Grade
Imagem: DIVULGAÇÃO
É notável como “Eighth Grade” consegue ser sensível sem forçar nenhum tipo de sentimento no espectador, apenas com a naturalidade gerada pela empatia com a personagem principal. Talvez, seja porque é muito fácil se identificar com Kayla (Elsie Fisher), principalmente nas pessoas que estão ou na faixa de idade dela (14, 15 anos) ou em quem é um pouco mais velho, mas passou pela escola já no momento de popularidade das redes sociais.

Assim como todo jovem, Kayla quer ter uma vida que não envolva a família, ou, ao menos, que a envolva, mas que tenha amigos também, para ser possível realizar uma divisão entre um núcleo e outro. Acompanhamos a jovem, prestes a se formar na antiga oitava série, atual nono ano, enquanto ela lida com sua timidez e se desafia a fazer amigos.


Dirigido e escrito por Bo Burnham, o filme trata a história de Kayla com uma sensibilidade que é estabelecida e construída através de um roteiro que se preocupa em apresentar, desenvolver e não tentar solucionar as dúvidas que a adolescente sente e que tem um peso considerável em sua vida.

Não tentar solucionar os questionamentos da garota é algo essencial para que o filme funcione tão bem quanto funciona, já que os questionamentos que Kayla faz, expostos através dos vídeos que a garota grava para o seu canal, provavelmente nunca serão solucionados, porque fazem parte do crescimento e da transição entre a adolescência e a fase adulta.

Transição que é mostrada muito bem por Elsie Fisher, em uma atuação de tirar o folego, já que é impossível não se identificar com a personagem em ao menos um aspecto. Quem nunca se sentiu oprimido ao ir em uma festa de uma pessoa que não gosta, mas que quer gostar, apenas por termos empatia? Queremos gostar de todos ao menos um pouco, mesmo sabendo que é impossível. Quem não fica esperando alguma notificação que possa gerar uma amizade que não está presente em nossas vidas e quem nunca deixou de ser fiel a sua personalidade para tentar impressionar outra pessoa?

E a grande sacada do filme é mostrar que isso é algo comum, com particularidades em cada pessoa, esse tipo de atitude levemente imatura, serve para nos preparar para aquilo que vem no futuro, formar a nossa empatia de maneira prática e fazer nós pensarmos em que tipo de pessoas nós éramos quando tínhamos a idade de Kayla.

Se “Eighth Grade” tem um objetivo principal é mostrar que tudo bem ser tímido e ter vontade de se enturmar, mas não conseguir, tudo bem abandonar algo que gosta, mesmo que isso faça parte de você, porque não sente mais inspiração para fazer isso e tudo bem se você fizer tudo um pouco mais tarde na sua vida, aprender a viver no nosso tempo é o que deveria ensinado, no fim das contas.

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