17.1.19

Crítica: Podres de Ricos

Imagem: DIVULGAÇÃO
Há filmes que são decepcionantes, mas ainda assim necessários, para, usando o contraexemplo, aprendermos a reconhecer uma boa obra cinematográfica e as qualidades que dão ao filme a competência necessária, independente do gênero ou nacionalidade.

“Podres de Ricos”, é um desses filmes decepcionantes e se há algum tipo de categoria entre os filmes decepcionantes, a obra dirigida por Jon M.Chu está na pior delas, pois o primeiro e o segundo ato não são ruins, fazendo da primeira metade um trabalho convencional, mas o terceiro ato e a conclusão que este traz é desastroso, já que tudo aquilo que foi construído é basicamente jogado no lixo. 

E por incrível que pareça, muitas mensagens são construídas e passadas, a história permite que isso aconteça de forma até natural. Acompanhamos Rachel (Constance Wu), namorada de Nick (Henry Golding), herdeiro de Eleanor Young (Michelle Yeoh) que é dona de uma rede de hotéis e de um império em Singapura, terra natal do rapaz. Devido a um casamento, Nick volta para a casa e decide levar Rachel, para apresentar a namorada para a família, porém, nada corre como o planejado e Rachel acaba sendo discriminada, tanto por não ser tão rica quanto as pessoas ali (todos milionários), quanto por ser tratada como interesseira.

O que não é verdade, já que Rachel é professora de Economia em uma faculdade e não precisa do namorado para nada no que diz respeito no aspecto financeiro. Essa é uma das mensagens que o filme mostra, a independência feminina e o empoderamento, já que não é apenas Rachel que não precisa de um homem, Astrid (Gemma Chan), prima de Nick, tem um império de moda construído unicamente por ela e Eleanor por si só também é uma figura feminina forte.

Mesmo que as duas ultimas citadas sempre puderam contar com o apoio financeiro para conseguir o sucesso, o filme deixa claro como se importa com a independência feminina, usando essas três personagens de formas distintas no primeiro e segundo ato. O roteiro, ao menos nesse aspecto, tenta fazer algo diferente para fazer o filme se destacar e até consegue construir bem essas tramas em meio a trama principal do casal.

Essa última é uma história que se mantêm no mais do mesmo, sendo previsível até o último fio de cabelo, mas no terceiro ato, ela ganha um destaque que faz o filme esquecer da trama de independência que criou, para se tornar uma mera história de conflito familiar bobo e sem nenhuma necessidade, jogando o que tinha feito no lixo em prol de uma história enfadonha, apenas para colocar vários clichês em sequencia durante a segunda hora de filme.

O que faz “Podres de Ricos” perder o ritmo que tinha estabelecido na primeira hora e prejudica a atuação de Constance Wu, que tenta fazer algo e não consegue sair das armadilhas do roteiro e Michelle Yeoh, que além de tentar fazer algo e não conseguir, é prejudicada com o pouco tempo de tela, nesse último ponto, Gemma Chan não consegue dar vida a Astrid devido a isso, o que é uma pena, já que o arco dela poderia ser interessante.

Assim, após começar e se manter na primeira hora de maneira agradável, “Podres de Ricos” se torna um filme previsível com apenas o objetivo de fazer as pessoas ficarem felizes no fim da projeção. E talvez nem isso ele consiga realizar.

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