1.4.19

Crítica: Vox Lux

Vox Lux
Imagem: Paris Filmes / DIVULGAÇÃO
É bacana ver como certos filmes, ao falar da carreira musical de alguém, busca fazer um pouco diferente do que é o comum em obras similares, sim, no caso de “Vox Lux”, vemos a trajetória de uma cantora fictícia, mas é notável como o senso de filme biográfico nunca morre dentro da projeção.

Dirigido por Brady Corbet, acompanhamos a história de Celeste (Raffey Cassidy na fase adolescente, Natalie Portman na fase adulta). A moça se torna cantora após encontrar na música a única forma de se expressar após sua escola ser atacada por um aluno armado. Tendo sucesso imediatamente ao escrever uma canção com a irmã Eleanor (Stacy Martin) enquanto ainda se recuperava, ela embarca na carreira de cantora pop com apenas 14 anos.

O filme é dividido em “Prelúdio”, que se passa em 1999, no ano em que Celeste nasce, “Ato 1 – Gênesis, 2000 a 2001”, “Ato 2 – Regenesis, 2017” e “Final, Século 21”. A obra trabalha essa divisão para estabelecer seu roteiro e sua montagem, ao mesmo tempo em que conta a história de Celeste e usa um narrador com propósitos distintos.

Gênesis, representa o nascimento de Celeste como cantora bem-sucedida e mulher independente, graças a única forma com a qual conseguiu se expressar após sofrer muito quando jovem, ela usa isso para criar algo bom, por isso, ela vira o sucesso que é, a câmera próxima dela, quando ela grava, ensaia as coreografias, canta, mostra como a música representa um alivio.

O ato 1, ocupa toda a primeira hora do filme, onde Raffey Cassidy é a protagonista. A fotografia nesse ponto, é escura, assim como os figurinos e isso contribui para a performance de Cassidy nessa primeira parte, pois vemos como ela nunca mais foi a mesma após o que ocorreu em sua escola. Por mais que faça algo que ama, ela está prestes a se tornar uma mulher adulta, ansiosa, que se dá bem com a irmã, mas não pode revelar a ela tudo o que sente, por ser doloroso demais. 

Vox Lux
Imagem: Paris Filmes / DIVULGAÇÃO
Vemos como isso se concretizou no Ato 2, e o “Regenesis” do título não é a toa, já que ela renasce na figura que criou para o seu sucesso e na figura da filha (interpretada por Raffey Cassidy), o que remete a relação de mãe e filha que Celeste não teve. Porém, o renascimento aqui é o do relacionamento dela com a irmã mais velha, que ficou abalado após o fim do primeiro ato.

Esse renascimento se reflete na fotografia e nos figurinos, que ganham cor e luz após um primeiro ato escuro, com destaque para a cena do show, e pela narração, que não é a tradicional, que fala aquilo que acontece ou vai acontecer, nesse caso, a voz de Willem Dafoe serve para falar coisas que aconteceram e são relevantes na trama, em alguns casos mostrando rapidamente essas coisas e para acrescentar algo a cena que não foi verbalizado, além de detalhar sentimentos da personagem.

Que é interpretada por Portman como uma pessoa que ama o que faz, mas que não sabe como lidar com o sucesso, principalmente no que diz respeito a como ele influência ou não a sua vida familiar. Vemos que ela tinha inveja da irmã, mesmo que essa tivesse inveja dela no ato 1 e devido a isso, a relação com sua filha é prejudicada, já que as duas mal conversam.

Esse viés familiar é bem trabalhado por Portman e Cassidy, que aproveita a velocidade dos cortes e a redução dos movimentos de câmera, para que percebamos como o tempo é relativo e como somos obrigados a renascer diariamente, mesmo que a gente não queira.

Fazendo o público ver que ter sucesso demanda não apenas acertos, mas também erros, “Vox Lux” é um filme com bom roteiro e edição aliados, duas ótimas atuações e principalmente, mostra como as pessoas tem a capacidade de renascer mesmo após acontecimentos inigualáveis, usando alguma coisa que amam como forma de expressão e arte.

Veja o trailer aqui, filme distribuído pela Paris Filmes:

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