16.12.19

Crítica: História de um casamento

História de um casamento
Imagem: Netflix / DIVULGAÇÃO
História de um casamento” é um filme duro, talvez não seja a experiencia cortante que promete ser, mas, sem dúvida nenhuma, é um filme que trata muito bem dos temas que propõe, no caso o relacionamento e divórcio de Charlie (Adam Driver) diretor de teatro e Nicole (Scarlett Johansson), atriz.

E tratar os assuntos citados acima se torna mais trabalhoso quando o foco é no divórcio e não na parte boa do casamento dos dois, porém, o diretor e roteirista Noah Baumbach consegue através da direção sólida e da montagem, criar e aprofundar a história proposta em um pouco mais de duas horas de projeção.

Pois aqui, apesar de uma separação, vemos que é um filme que fala sobre amor e não necessariamente o amor que Charlie sente por Nicole e vice-versa, mas também sobre o amor que eles tem pelo filho Henry (Azhy Robertson) e por seus respectivos trabalhos, que se tornam um assunto importante no processo legal de divórcio.

Isso apenas é possível ser visto e aprofundado graças aos diversos arcos criados por Baumbach que desenvolvem os personagens e os tornam figuras multifacetadas, seja devido ao episódio piloto que Nicole foi chamada para fazer (e um dos pivôs da separação), a relação dela com a mãe e a irmã ou, em relação a Charlie, a peça dele indo para Broadway e claro, como as personalidades de ambos mudam com o tempo.

A mudança nas personalidades dos dois é perceptível por dois motivos: o primeiro é a técnica de Baumbach e como ele usa a câmera de modo a deixar Driver e Johansson atuarem com liberdade, seja através de movimentos que acompanham ambos de forma bem feita e concisa ou com a câmera parada.

O que leva ao zoom in nos rostos de ambos e essa aproximação, que permite ao público ver as expressões dos interpretes, nos leva ao segundo ponto que expõe a mudança no comportamento deles, as atuações de Scarlett Johansson e de Adam Driver, que é uma reação a ação do outro.

No caso, Driver e Charlie reagem a Johansson e Nicole, o que faz com que a atuação dela seja essencial para o filme funcionar, um exemplo disso é na cena do inicio da obra onde Nicole, após receber conselhos de Charlie para melhorar a atuação e encara-los muito bem, sai da sala onde estão, para apenas virar de costas e soltar o choro que estava segurando.

Seja pelo movimento de câmera, que acompanha a atriz de forma a vermos a mudança na expressão dela com naturalidade, ou pela própria mudança de expressão, essa cena expõe como Johansson é talentosa e dominante no filme, seja porque ela é o motor da história ou por ser essa cena que mostra como Charlie (e por consequência Driver) reage ao que ela faz, como a obra deixa claro no seu decorrer.

Apesar disso e da delicadeza de Baumbach em contar essa história, o filme fala mais do divórcio do que do relacionamento dos dois, o que leva o público a não conhecer de fato o casamento deles e assim, causa falta de empatia no espectador, pois é apenas na primeira meia hora que sabemos a maneira que eles funcionam como casal.

Porém, talvez isso não importe de fato, seja pela mensagem amorosa que o filme passa ou pela bonita rima visual que os primeiros dez minutos do filme tem com os dez últimos. Talvez, o que importe de fato não seja nem o divórcio, mas sim o amor que foi construído e concretizado em Henry e que é o que faz o filme ser duro em certos momentos.

Logo, talvez o que importe seja que ali existe um sentimento e é nesse sentimento que “História de um casamento” se apoia e constrói uma história bonita com uma das melhores atuações do ano, que é a de Scarlett Johansson.

Veja o trailer aqui: 

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