9.12.19

Crítica: Finalmente Livres

Finalmente Livres
Imagem: Califórnia Filmes / DIVULGAÇÃO
Em geral, a maioria dos filmes de comédia tem intenção de divertir, ao mesmo tempo que passa uma mensagem. Não que as comédias que tenham apenas o objetivo de divertir sejam erradas, mas as mais funcionais histórias cômicas tem um plano de fundo sólido.

"Totalmente Livres" é uma dessas comédias com intenção de fazer rir, por mais que tenha espaço para ser uma das obras que poderia ter um plano de fundo que passasse alguma mensagem e tenha no elenco uma das atrizes mais talentosas de sua geração.

Dirigido e co escrito por Pierre Salvatori, a obra conta a história de Yvonne (interpretada por Adele Haenel), uma policial, mãe e que descobre que seu marido, também policial e falecido há 2 anos era corrupto e fez um inocente ser preso. O inocente, Antoine (interpretado por Pio Marmaï), sai da cadeia e ela tenta ajudá-lo a recomeçar sua vida.

A obra tem certo dinamismo em seus cortes, o que a faz ter ritmo e concisão, já que o roteiro segue uma linha bem definida sobre o que é e o que deseja ser. Por mais que isso seja uma qualidade, há algumas cenas sem propósito narrativo algum.

E é na maioria dessas cenas que o humor aparece com mais força, humor que é gerado a partir de situações cômicas não orgânicas, o que faz os momentos apresentados serem bobos e alguns deles até vazios.

Como a cena que um personagem usa um modificador de voz em uma máscara ou a cena na qual Antoine está na balada com a mulher Agnes (interpretada por Audrey Tautou). O que nos leva a pensar se o filme de fato funciona como comédia.

Pois se a maioria das cenas cômicas poderiam ser facilmente cortadas, não seria melhor ter feito o filme no gênero de drama? Temos uma ideia central boa, a da discussão com a corrupção e como Yvonne luta contra ela mesmo fazendo coisas erradas.

Reparem que em nenhum momento Yyonne se pergunta se o que ela faz de errado é errado, tudo isso devido a comédia, o que faz o público ter dificuldade de imersão nos atos duvidosos de Yyonne durante o filme.

Esses atos tentam ser justificados pelo amor ou suposto amor que ela sente por Louis (interpretado por Damien Bonnard), que é policial e por Antoine, que é muito mais uma sensação de culpa do que um afeto real.

Não que Adele Haenel não tente. A atriz consegue convencer no papel, não pela qualidade do roteiro e sim pelo seu talento inegável, que faz o público desafiar a si mesmo por ser um trabalho convincente em um filme vazio, de forma que a gente se pergunta "como é que ela pode ser assim sendo que é óbvio que ela está errada?".

Em compensação, o outro grande nome do elenco que é Audrey Tautou, poderia ter seu papel cortado que não faria a maior diferença para a trama principal, já ela como esposa de Antoine é constantemente ignorada pelo mesmo, assim como pelo roteiro.

Talvez, caso fosse um drama, a personagem de Tautou fosse útil, já que ela poderia ser um contraponto a personagem de Haenel. Já que Agnes sabe que aquilo que Antoine faz é errado e não nega isso para ninguém.

Assim, "Finalmente livres" mostra duas pessoas presas a corrupção, seja por fazerem coisas erradas para se sentirem livres ou por sentirem culpa. Porém, fica a dúvida de que se o gênero cinematográfico escolhido foi o correto, o que nos leva a pensar no potencial que o filme tem.

Veja o trailer aqui:

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