23.12.19

Crítica: O último amor de Casanova

O último amor de Casanova
Imagem: Califórnia Filmes / DIVULGAÇÃO
Talvez poucas pessoas tenham servido de inspiração a filmes como Giacomo Casanova. De obras diversas épocas e de vários realizadores, inclusive Federico Fellini, o conhecido mulherengo sempre está presente de alguma forma.

Não é diferente em 2019, dirigido por Benoit Jacquot e escrito por ele junto com Jerome Beaujour e Chantal Thomas, "O último amor de Casanova" conta justamente a história título. Após ser expulso de Veneza, o personagem que dá nome à obra, interpretado por Vincent Lindon, passa a morar em Londres, onde conhece e se apaixona por Marianne (Stacy Martin), a qual tenta conquistar.

O filme é nada mais, nada menos, do que uma história que já vimos anteriormente, o homem conquistador e acostumado a ter tudo e todas as mulheres que quer, "lutando" para conquistar a atual paixão, a qual largará logo após a consumação do desejo.

Assim, a obra se torna previsível, mas não apenas por esse motivo, mas também por ter uma estrutura apoiada em flashbacks, onde a história é contada por Casanova, no presente, para uma outra mulher, que nunca sabemos quem é e nem seu nome.

Essa opção estrutural faz com que o filme fique monótono e dure mais do que deveria e a história, já previsível, se torna maçante, pois sabemos o que vai acontecer, mas não acontece e então o público fica esperando cada vez mais por uma expectativa criada e que sabemos que não será cumprida.

O tédio é mantido graças a cortes sem sentido e que tiram o ritmo da obra de forma que não vejamos coisas importantes, por exemplo, quando chegou a Londres, Casanova não tinha uma casa e após dois ou três cortes, ele já tinha comprado uma e o uso de fades in (quadro escurece até ficar preto e a cena mudar) que faz com que o público não veja mais coisas necessárias e acelera a passagem de tempo.

Dessa forma, a obra se torna vazia e perde a imersão que poderia ter se bem feita. Jacquot poderia ter feito mais, opções melhores de montagem, o que tornaria o filme mais curto, menos arcos secundários, já que os personagens que não são Casanova e Marianne aparecem e somem rapidamente e as vezes nem lembramos quem são.

Talvez, se a fotografia fosse um pouco mais clara, o público ficasse imerso devido a beleza visual que a maioria dos filmes de época tem, porém, não vemos Londres, pois a cidade é retratada como sendo sempre nublada e fria, mesmo que o filme se passe no outono, o que percebemos pelas roupas utilizadas por todos, que não são trajes pesados.

Possivelmente, a melhor coisa do filme sejam as atuações de Vincent Lindon e Stacy Martin, já que até uma atriz veterana como Valéria Golino não tem muito espaço. Martin faz com que Marianne, na medida do que o roteiro permite, seja misteriosa, de forma que nunca sabemos o que ela quer de fato e se ela está mesmo gostando de Casanova.

Lindon faz com que o mulherengo, tradicionalmente retratado como um homem feliz e expansivo ao extremo (vide o Casanova de Fellini, interpretado por Donald Sutherland), seja um homem melancólico e até triste, seja devido a velhice ou a não conseguir ser mais o mesmo conquistador de antes.

Mas, convenhamos, é claro que ele não vai conseguir ser o mesmo conquistador de antes na medida que a idade chega. Se o filme tivesse explorado essa "dificuldade" (porque afinal, falamos de um homem riquíssimo e que não passa nenhuma dificuldade real) a obra fosse melhor.

E por mais que Lindon tente com todas as suas forças, "O último amor de Casanova" é um filme que poderia ser muito melhor do que é e ter muito mais a transmitir para o público do que a mensagem de sempre.

Veja o trailer aqui:

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