6.4.20

Crítica: O Homem Invisível (2020)

O Homem Invisível
Imagem: Universal Pictures / DIVULGAÇÃO
Eu nunca vi o filme que deu origem a esta refilmagem de “O Homem Invisível”. O original é de 1933 e dirigido por James Whale, o remake é de 2020, dirigido e escrito por Leigh Whannell e estrelado por Elisabeth Moss (de “O Conto da Aia”).

Sendo assim, é notável que uma das maiores qualidades da obra seja justamente a não necessidade de ter visto o filme clássico, já que a história da nova versão atrai e prende o público, de forma a nunca pensarmos (caso saibamos com antecedência da existência do clássico) em possíveis comparações com o original.

Acompanhamos a história de Cecilia (Moss), ela acaba de saber que seu ex-namorado abusivo, com o qual morava há pouco tempo, chamado Adrian (Oliver Jackson-Cohen), se suicidou. Porém, após ser atacada pelo homem invisível do título, ela tem certeza de que este é justamente seu ex, que está sendo abusivo da mesma forma que foi em vida.

Usei a palavra “certeza” pois esta é uma das palavras mais utilizadas pelo filme, por mais que nunca seja dita em nenhum momento por nenhum dos personagens, porém, ela está sempre presente na forma do abuso que Adrian realizava com Cecilia, fazendo-a pensar que estava louca e que tinha feito coisas que não fez.

O termo para isso é gaslighting e o filme o usa como temática dentro do terror fantasioso que propõe, já que a obra pode ser compreendida de duas formas: a metáfora através do homem invisível, onde estamos vendo uma pessoa abalada se recuperando de um abuso ou como um filme de terror pura e simplesmente.

Whannell encaixa as duas compreensões de forma a construir essa sensação de “certeza” através da forma como conta a história e principalmente pela atuação de Elisabeth Moss. Primeiro, o filme é cheio de movimentos de câmera que iniciam em ângulos diferentes, de forma que fazem parecer que o homem invisível está vigiando Cecilia o tempo todo.

Isso acontece em diversos momentos, mas é interessante que Whannell faz isso mesmo antes de ele “aparecer” oficialmente, como se na verdade ele nunca tivesse desaparecido de fato e principalmente, o diretor faz isso usando ângulos de plongee, ou seja, a câmera acima de Cecilia, de forma a sermos levados a pensar que Adrian está sempre acima dela.

Através disso, Whannell manipula seu público da mesma forma (dada as devidas proporções, claro) que Adrian fez com Cecilia e é isso que gera a imersão do espectador no filme, o que por sua vez é o que gera os sustos (jumpscare mesmo) que algumas cenas contêm.

Juntando os aspectos dos parágrafos acima é que as duas compreensões citadas no texto são possíveis e cabe ao público escolher qual prefere seguir para chegar ao final definitivo da obra. E ambas têm fundamentos, seja a mais racional (que não posso detalhar mais) ou a fantasiosa, que remete aos filmes de terror que conhecemos e que são sucesso de público.

Porém, nada disso iria funcionar de fato se não fosse Elisabeth Moss e sua atuação física e até agressiva (novamente, dada as devidas proporções). Moss constrói Cecilia como uma mulher bondosa mesmo com tudo o que aconteceu com ela, como fica claro na cena com a filha do amigo James (Aldis Hodge) com os quais ela está morando.

E, ao mesmo tempo em que faz isso, Moss estabelece muito bem o que Adrian e o gaslighting fizeram com ela e como isso afetou sua vida de diversas formas, independente da situação na qual esteja inserida, ela parece sempre sentir medo, desconfiança e isso é importante para que a obra seja efetiva.

Talvez, nem precisasse de Moss ser enquadrada em azul em certos momentos, azul é uma cor que representa depressão e no caso, ela está nesse estado devido ao que sofreu, porém, a atuação dela deixa todos os sentimentos tão claros, que não precisavam ser expostos dessa forma, por mais que isso deixe o filme mais rico.

Assim, “O Homem Invisível” além de cumprir o seu propósito como remake, traz uma história que prende o público durante as suas duas horas de duração e que passa uma mensagem clara usando a técnica em seu benefício e não o oposto, contando com uma direção inteligente e com a atuação de uma das melhores interpretes da atualidade.

Um comentário:

  1. Valdir Conceição6 de abril de 2020 20:09

    Parece bom , assistirei e volto para deixar minha impressão.

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