13.4.20

Crítica: Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica

Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica
Imagem: DIVULGAÇÃO
Ao ver “Dois Irmãos – Uma jornada fantástica”, foi impossível não pensar na quantidade de pessoas que cresceram sem pai no Brasil, independente do motivo, seja por abandono ou por morte repentina, o filme dirigido por Dan Scanlon faz pensar nisso de maneira inevitável.

Assim, assistir “Dois Irmãos”, uma história de magia e fantasia em uma animação, é uma experiencia interessante pela temática e em como ela é trabalhada durante as 1h40 de projeção. O protagonista é Ian, um jovem elfo de 16 anos que acaba de fazer aniversário. Ele vive com seu irmão Barley e sua mãe Laurel, já que seu pai, Will, morreu quando ele era bebê.

O mundo onde eles vivem é de fantasia e antes ele foi dominado pela magia, até que a sociedade cansou de depender da mágica e se adaptou para o mundo que conhecemos. No aniversário de Ian, o pai dele deixa um feitiço e uma vara, com instruções para uma mágica ser realizada e os irmãos poderem passar um dia com o pai. Porém, o feitiço dá errado e apenas as pernas do pai voltam a vida. Assim eles precisam correr contra o tempo para consertarem o que fizeram e conseguirem cumprir o objetivo.

A obra se transforma em um road movie mágico, onde um personagem principal solitário e tímido é usado como ferramenta para tratar de diversos assuntos necessários para a sociedade, mas esquecidos por ela, como aproximação, empatia e união, seja esta entre as pessoas no geral ou entre uma família.

Como é o caso no filme, já que os irmãos se unem e acabam se conhecendo, de forma a perceber como eles são importantes na vida um do outro e, principalmente, como eles precisam um do outro para viver, de forma que é nos diálogos dos dois que a obra ganha em conteúdo.

Não que a saudade que eles têm do pai não sirva para isso, claro que serve, porém, é na relação dos irmãos que o filme se constrói e mostra que a verdadeira magia dali, pelo menos para os dois, não é a magia de fato, mas, na verdade, a união deles através do amor que sentem um pelo outro e pelo seu pai.

Devido a isso, o filme ser estruturado como se fosse um jogo rpg de tabuleiro, que Barley ama, é significativo, já que Ian entra no mundo que o seu irmão mais velho ama e tem muito conhecimento sobre, o que é mais um aspecto nos quais os dois se unem.

Com esse ponto, fica claro que Ian teve uma figura paterna através do irmão, mesmo que ele não saiba disso, o que o jovem precisava era de algo que os unisse e gerasse uma jornada na qual ambos teriam um papel significativo a desempenhar.

Essa jornada é algo que todos nós precisamos e a maioria de nós não terá e por isso “Dois irmãos – uma jornada fantástica” é tão bonito, pois podemos através da arte, nos colocar no lugar dos personagens e assim termos pelo menos um pouquinho daquilo que foi mostrado e mesmo sendo pouco, o sentimento vale a pena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Copyright © 2016 Assim falou Victor , Blogger