4.5.20

Crítica: O preço da verdade

O preço da verdade
Imagem: DIVULGAÇÃO
Após “Carol” de 2015, Todd Haynes nunca mais conseguiu um sucesso de fato. O diretor de “Não estou lá”, a biografia de Bob Dylan, provou seu talento com os dois filmes citados, mas após “Sem Folego” e esse “O Preço da verdade”, temos que pensar que talvez ele seja um diretor com talento médio que deu sorte duas vezes.

Robert Bilott (Mark Ruffalo) é um advogado de uma firma que defende grandes indústrias em processos ambientalistas. Nos anos 90, ele recebe, através de um fazendeiro, uma série de evidências que provam que a DuPont (uma dessas empresas defendida pelo escritório onde ele trabalha) envenenaram a água de uma cidade na Virginia, o que causou diversas doenças nos habitantes e nos animais.

Acompanhamos a história desse advogado enquanto ele briga judicialmente usando o material citado como ponto de partida. A projeção se consolida como uma das várias que já vimos no cinema: um advogado determinado a fazer o impossível, apesar de todos os obstáculos.

Haynes consegue, mesmo com um roteiro que não ousa, estabelecer bem a duração da narrativa, de forma que o público não sente o tempo passar. A história consegue levar imersão ao espectador ao dividir bem as duas horas entre a investigação primária e o julgamento, o que, como a projeção deixa claro, dura anos.

Porém, mesmo com esse aspecto positivo, a estrutura fílmica é a mesma de outros filmes similares, assim como as atuações de um elenco reconhecido, que além de Mark Ruffalo, tem Anne Hathaway e Tim Robbins em papeis importantes para o arco principal.

Fora a redundância técnica já citada, Haynes faz coisas que para a narrativa não fazem o menor sentido, como alguns ângulos laterais enquanto Ruffalo entra em algum estabelecimento, a cena inicial do filme – porque a primeira cena é em 1975 sendo que a trama se passa dos anos 90 para frente? – e principalmente, o uso do azul em praticamente todas as cenas.

O azul pode ter diversos significados, como tristeza e frieza. Especificamente esses dois fariam sentido para a obra, o primeiro é algo que o personagem principal sente constantemente e o segundo é algo que a DuPont claramente tem para fazer o que fez, mas, a cor é utilizada unicamente porque, em geral, ela é uma cor que o espectador associa a água e o filme fala de águas envenenadas, como o titulo original diz, “Dark Waters” (águas negras).

Esse uso é bobo, igual a muitas das falas do filme, um exemplo relacionado a cor é quando Ruffalo descobre, em uma sala cheia de caixas de arquivo, sozinho, que a DuPont envenenou a água. “Está na água”, ele diz, porém, o fazendeiro que foi quem disse a ele o que a DuPont fez, passou essa mesma informação logo de cara.

Assim, com esse tipo de coisa boba, apesar de um bom ritmo, “O preço da verdade” se torna um filme que é mais do mesmo, a diferença desse mais do mesmo para os outros é que tem um elenco com pessoas conhecidas e que o assunto é importante e real, fora isso, já vimos esse filme várias vezes.

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